Lula pede que ministros assumam debate sobre reformas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem aos ministros que assumam a linha de frente do debate das reformas tributária e previdenciária. Lula, segundo participantes da reunião do presidente com os ministros, na Granja do Torto, disse que a equipe precisa ajudá-lo a esclarecer para a sociedade que a taxação dos servidores públicos inativos, o ponto mais polêmico da reforma da Previdência, não é um bicho de sete cabeças. "Precisamos explicar que até 1992 os funcionários públicos não contribuíam para o sistema previdenciário", observou o presidente, na quarta reunião ministerial desde o início do governo, segundo relato de um ministro. "Somente a partir de 1993, eles (os servidores) passaram a contribuir, com 11%." Lula destacou este argumento ao encerrar a reunião ministerial. Afirmou que o debate sobre a Previdência deve se dar sob o seguinte ponto de vista: há um grande desequilíbrio entre a aposentadoria do funcionalismo público e do povo em geral. "O que o governo pede, portanto, é que os servidores deixem de ter aumento salarial quando se aposentam, nada mais do que isso", afirmou o presidente, de acordo com o relato. Para Lula, o governo às vezes peca por ruídos de comunicação. Mais: ele também alertou os ministros dizendo que não quer ver discussões sobre o Orçamento pela imprensa. Garantiu que os recursos serão liberados na medida do possível, principalmente para a área social, e pediu "criatividade" de todos para enfrentarem as dificuldades. O presidente assegurou que quer conversar com empresários para fazer parcerias entre o setor público e a iniciativa privada e, assim, conseguir mais recursos para investimentos. "Faremos um esforço conjunto", destacou.O ministro do Planejamento, Guido Mantega, disse que o governo já debaterá o Plano Plurianual de Investimentos (PPA) com perpectivas de expansão do Produto Interno Bruto (PIB). "Vocês querem saber o que fazer para viabilizar um crescimento do PIB acima de 3,5% ou 4% e quais as medidas a serem tomadas?", perguntou Mantega. Ele mesmo respondeu: "Diminuir a vulnerabilidade externa, fazer investimentos em infra-estrutura e desenvolver ações específicas para a geração de empregos."

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