MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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Lula pede que Dilma 'levante a cabeça'

Ex-presidente aconselha sucessora em ato de ‘defesa da Petrobrás’ no Rio, momentos após militantes entrarem em confronto com antipetistas

Fernanda Nunes, Idiana Tomazelli e Mariana Sallowicz, O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2015 | 21h23

Atualizado às 23h30

Rio - Em um ato precedido por confronto entre militantes petistas e defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva partiu nesta terça-feira, 24, em defesa de sua afilhada política após um dos períodos mais longos de afastamento entre os dois. Para o petista, a presidente “não pode dar trela” e deve “levantar a cabeça” ante as investigações do esquema de corrupção na Petrobrás. 

“A nossa companheira Dilma Rousseff tem que deixar o negócio da Petrobrás para a Petrobrás, a corrupção para o ministro da Justiça ou para a Polícia Federal. A Dilma tem que levantar a cabeça e dizer ‘eu ganhei as eleições’”, afirmou Lula no evento convocado pela Central Única de Trabalhadores (CUT) e Federação Única dos Petroleiros (FUP) em defesa da Petrobrás, realizado na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio. 

“Dilma não pode e não deve ficar dando trela, se não a gente fica paralisado”, acrescentou. 

A presença do ex-presidente no evento é sinal de sua volta ao pelotão de frente na defesa do governo. Desde a reeleição, Dilma tem amargado derrotas no Congresso, o que acendeu o sinal amarelo no Palácio do Planalto. Para tentar reverter o placar desfavorável, a presidente buscou se reaproximar de Lula após mais de dois meses sem um encontro privado com o padrinho político. No último dia 12, os dois conversaram reservadamente em São Paulo. 

 

Embora organizada por apoiadores do PT e do governo, a manifestação também atraiu dezenas de militantes contrários ao partido. Por isso, desde as 17h30, meia hora do horário previsto o início do ato, já havia um clima de confronto entre os dois grupos. 

Segundo a Polícia Militar, cerca de 500 manifestantes se concentravam no início da noite na Avenida Araújo de Porto Alegre, no centro, que teve o trânsito fechado. Enquanto uns xingavam Dilma e clamavam pelo impeachment dela, os defensores do governo diziam que a oposição era “a escória do País”. Houve discussões acaloradas e até ovos foram lançados. Em outro momento, um grupo de manifestantes gritava “Olê, olê, olá, Lula, Lula”, outros ativistas faziam coro: “Lula ladrão, Lula ladrão”. 

Escolta. Lula, estrela do ato, chegou com 1h30 de atraso, escoltado por policiais e sem falar com a imprensa. Ele foi aclamado pelos presentes, que gritavam “Lula guerreiro do povo brasileiro” e “Lula sai do chão, o petróleo é do povão”. 

Último e o mais esperado a discursar, o ex-presidente disse que a oposição tenta criminalizar políticos e trabalhadores antes de as investigações da Operação Lava Jato serem concluídas. “Não se pode criminalizar a Petrobrás por causa de meia dúzia de pessoas”, afirmou. 

Apesar de o ato ser a favor da estatal, o tom predominante foi a defesa do governo petista. “Hoje, defender direitos dos trabalhadores é impedir que haja retrocesso com a volta dos tucanos”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas, que também pediu a extensão das investigações ao período do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). 

O líder do Movimento dos Sem Terra (MST), José Pedro Stédile, convocou Lula a engrossar as manifestações. “Ganhamos as eleições nas urnas, nos derrotaram no Congresso e na mídia. Só temos uma forma de derrotá-los agora: é nas ruas.” O ex-presidente disse que adoraria voltar aos tempos de sindicalista, e apoio não lhe faltaria. “Tudo que a Marisa (mulher dele) quer é que o Lula volte a ser o Lulinha do sindicato de São Bernardo”, brincou. Em seguida, porém, ele lembrou que se recuperou de um câncer, sem deixar claro se de fato voltará a militar. 

A CUT ainda aproveitou para convocar os militantes para uma série de manifestações que ocorrerão no próximo dia 13 de março em várias cidades do País. Os atos serão em defesa do combate à corrupção e da Petrobrás. No dia 15, grupos de oposição marcaram atos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

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