Lula pede paciência à Venezuela para entrada no Mercosul

Deputados venezuelanos reclamam da demora do Congresso brasileiro em aprovar a aceitação do país

Jamil Chade, do Estadão

09 de outubro de 2007 | 12h34

Deputados venezuelanos que participam de um encontro internacional, nesta segunda-feira, 8, em Genebra, revelaram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu "paciência" ao presidente Hugo Chávez e que Caracas dê até o final do ano para que a ratificação ocorra.  Veja também:  Chávez acusa o Congresso brasileiro de submissão aos EUA Cronologia do impasse entre o Senado brasileiro e Hugo Chávez   "A Casa Branca tem muito que ver com o que está ocorrendo no Congresso brasileiro. As embaixadas dos Estados Unidos, tanto no Brasil, como Venezuela e Bolívia, são as principais responsáveis por sabotar as relações entre nossos países", disse o deputado Adel Labayar, membro da Comissão de Energia do Parlamento Venezuelano. A Venezuela e o Mercosul já assinaram um acordo de adesão. Mas o Congresso brasileiro resiste em ratificar o documento. Chávez chegou a dar um prazo para a aceitação de seu país. Os deputados, porém, contam que o prazo foi ampliado até dezembro à pedido de Lula. "Lula pediu que tivesse mais paciência. Pela amizade que temos com Lula, estamos sendo mais pacientes. Não estamos buscando enfrentamento", disse Labayar. Outros deputados venezuelanos relatam que têm procurado os deputados e senadores brasileiros para esclarecer o assunto. "Queremos entender os motivos (da resistência)", disse a deputada Norexa Pinto. "Quando vemos o Congresso brasileiro entendemos porque Lula tem dificuldades. Ele pode ter maioria no Congresso, mas o problema é que são deputados de esquerda que na realidade vestem camisas de direita", afirmou Labayar. Segundo ele, o Brasil "tem muito a ganhar" com a adesão da Venezuela no bloco e ainda acusou os deputados de "traição" quando defendem os interesses de empresas multinacionais.Na avaliação do deputado, parte da resistência no Brasil deve ser entendida como uma tentativa de tentar isolar politicamente a Venezuela.  "Por mim, que não se aprove mais a adesão. A Venezuela não terá problemas com isso", disse. "Esse isolamento não vai ocorrer. Os investimentos estrangeiros estão triplicando em nosso país", afirmou Labayar. Ele não poupa nem mesmo a atitude do Brasil em relação à venda de aviões da Embraer para a Venezuela e que foram vetados pelos Estados Unidos por contar com tecnologia americana. "Que independência é essa?", questionou o deputado, que é o presidente do grupo parlamentar de amizade Venezuela - Irã. "O Irã está disposto a compartilhar sua tecnologia", concluiu. 'Papagaio' dos EUA  Em junho passado, Chávez declarara que o Congresso "repetia como um papagaio" o que dizem os congressistas americanos. "Estávamos com um clima maduro para a votação . Mesmo com o desmentido do presidente Chávez, que atribuiu seu deslize a uma intriga da mídia brasileira, suas declarações geraram um mal-estar", afirmou Vieira da Cunha.

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