Lula pede mudanças na OMC e insiste em reunião entre ricos e pobres

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo que as decisões na Organização Mundial do Comércio (OMC) deixem de se dar por consenso entre os seus 148 membros, mas pelo resultado de votações por maioria. Essa proposta foi apresentada ao final da Cúpula da Governança Progressista, ao lado dos chefes de Estado da África do Sul, da Grã Bretanha, da Suécia, da Etiópia e da Nova Zelândia.Lula não conseguiu obter o apoio do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, à realização de uma reunião de "líderes mundiais" para destravar as negociações da Rodada Doha.A idéia de Lula é reunir os chefes de Estado do G-8 - as maiores economias do mundo mais a Rússia - e do G-20 - a frente de países em desenvolvimento que exige a abertura de mercados para agricultura, o fim de subsídios à exportação do setor e a redução das subvenções aos agropecuaristas. Em princípio, o encontro seria em março.Nos 20 minutos em que conversaram, Blair mostrou-se engajado à idéia da cúpula, na qual se tentaria construir as linhas gerais do acordo final da Rodada, conforme relatou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Porém, destacou que pretende antes ter maior clareza sobre o êxito dessa iniciativa.Blair não mencionou diretamente a proposta de Lula. Preferiu enfatizar que a Rodada Doha tem de ser concluída de "forma exitosa o mais rápido possível". Destacou ainda que seu fracasso "seria horrível e irreversível", com prejuízos também ao mundo desenvolvido. Segundo ele, União Européia trata esse assunto em bloco.Lula reiterou que o Brasil está disposto a fazer as concessões na abertura dos setores de bens industriais e de serviços exigidas pelos países desenvolvidos. Mas na medida "de seu tamanho e de sua capacidade" e da contrapartida na abertura agrícola e no fim de subsídios.O presidente argumentou que a Rodada Doha é uma oportunidade que não pode ser perdida, dada a sua capacidade de eliminar o movimento econômico-comercial que empobrece cada vez mais os países pobres. Mas teve o cuidado de enfatizar que não deseja o empobrecimento do mundo desenvolvido. Ele explicou ainda que a Rodada chegou a um ponto crítico, no qual que "o interesse deixou de ser econômico e passou a ser social e político", e que as decisões por consenso "atrapalham a verdadeira discussão"."É nessa hora que entram os dirigentes políticos. Nós discutimos de forma madura, sabemos quais são os problemas e que há um limite. Mas sabemos também que o ser humano é feito de consciência e de coração. Não só de razão, mas de sensibilidade", afirmou. "A política de consenso é maravilhosa. Mas um, no meio de 100, pode atrapalhar qualquer negociação."

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