Lula pede cuidado para discutir violência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu, nesta quinta-feira, que os brasileiros tenham cuidado com a forma que falam do País e discutam como tornar públicos os problemas. De acordo com ele, as pessoas não falam na rua das brigas que têm em casa para preservar a família e o mesmo tipo de cautela deveria haver para a imagem do País. "Tem violência? Tem. Mas tem que relativizar isso", afirmou o presidente no 32º Congresso da Brasileiro de Agentes de Viagem e Turismo - (Abav 2004), no início da tarde. Lula considera que a imagem de violência prejudica o turismo no Brasil. "Ninguém vai a um lugar em que dizem que ali morrem setenta pessoas por dia", afirmou. "Que ninguém diga que eu estou pedindo para não dizer as coisas que acontecem", afirmou. Para Lula, o Brasil precisa mostrar o que tem de bom e, sem esconder seus problemas, mostrá-los com seriedade, com vergonha e "sem displicência". "Se o sujeito toma um cascudo da mulher, não vai dizer que tomou um cascudo, vai dizer: ´minha mulher estava nervosa´", comparou, arrancando risos do auditório do Riocentro. A governadora do Rio, Rosinha Matheus, que não riu das piadas de Lula, discursou pouco antes do presidente, também afirmando que o Rio tem problemas sociais, como outros lugares que, "quando vistos por certas lentes de aumento, tomam proporção que não condiz (com a realidade)". Vaia - Lula e a governadora do Rio, Rosinha Matheus, receberam uma forte vaia quando entraram juntos no Pavilhão 3 do Riocentro, para visitar a Feira das Américas, exposição da Abav 2004. O motivo foi a revolta de milhares de congressistas que tiveram sua entrada na Feira impedida pela segurança, em função da visita presidencial, prevista para às 10h40 e que só ocorreu cerca de quatro horas depois.Pela manhã, Lula já tinha tratado do tema da imagem do País na posse de Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira para mais um mandato de presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). "Temos que tomar muito cuidado com o que falamos, com o que publicamos e até com o que pensamos, porque nossas palavras são captadas no exterior na forma e no interesse político deles", disse Lula na Firjan. Gouvêa Vieira dedicou quatro de sete páginas ao tema da violência e pediu a liderança do governo federal no combate ao crime no Rio. "O que falta neste momento é uma ação coordenada e claramente liderada pelo Poder Central". Lula respondeu que "é preciso parar com essa história de quem é o pai da criança - o importante é que a criança seja cuidada e se for com pai e mãe é melhor". O presidente também afirmou que o problema da criminalidade é histórico e "não é culpa de um ou outro governador". Segundo o presidente, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, está tratando de combater o narcotráfico com inteligência e não com força bruta. "Tenho certeza de que vamos colher os frutos", disse, ressalvando que os resultados não vão aparecer no curto prazo. "É um processo", afirmou.

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