Lula pede 'clareza' e PF divulgará diálogo da saída de delegado

Presidente encontra Tarso e diretor da PF, e diz querer deixar claro que não houve 'intervenção do governo'

Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2008 | 13h58

A Polícia Federal divulgará ainda nesta quinta-feira, 17, trechos do áudio da gravação do encontro da cúpula da PF, em São Paulo, na última segunda-feira, com os delegados afastados da operação Satiagraha. A decisão foi tomada nesta manhã, em reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva  com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-interino da Polícia Federal, Romero Menezes. Segundo fontes da Presidência da República, Lula insistiu, na reunião, que tanto o Ministério da Justiça quanto a PF têm de deixar claro que o afastamento dos delegados não foi uma intervenção do governo. Na última quarta, em entrevista coletiva, Lula chegou a pedir o retorno do delegado Protógenes Queiroz  ao comando das investigações, e disse que ele deveria explicar publicamente a sua saída.   Veja também: Lula cobra volta do delegado Protógenes ao caso Dantas Lula teria sido alertado do risco de afastar Protógenes Em nota, PF reafirma que Protógenes pediu para sair Apesar do apelo de Lula, Protógenes deixa caso Dantas na sexta Juiz aceita denúncia e Daniel Dantas vira réu por corrupção ativa Leia íntegra da decisão do juiz que aceitou denúncia  PF anuncia Ricardo Saad como substituto de Protógenes Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  As prisões de Daniel Dantas   O apelo do presidente, no entanto, não foi suficiente para trazer o delegado ao comando do inquérito da Satiagraha. Em nota divulgada no início da noite da última quarta, pouco depois da entrevista de Lula, a Polícia Federal reafirmou que tanto Protógenes como sua auxiliar, delegada Karina Marakemi Souza, tiveram seus pedidos de afastamento aceitos. Para os seus lugares, foram designados os delegados Ricardo Saadi, chefe da Delegacia de Combate aos Crimes Financeiros (Delefin) da Superintendência da PF em São Paulo, e Erika Mialik Marena. Mas para não incorrer em insubordinação, a PF, após um dia de intensas discussões internas, encontrou uma fórmula intermediária.   A saída para a confusão, com a qual Protógenes concordou, é que ele continua no caso até sexta-feira e produz um relatório que encerre sua participação. A partir de segunda-feira, porém, ele se desliga do inquérito "espontaneamente" para fazer o curso superior de polícia no qual está matriculado desde março e não volta a atuar no caso. Em meio à crise no comando da operação, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, tirou férias e viajou para longe do problema.   Ainda na entrevista, Lula insistiu na afirmação de que Protógenes havia tomado a iniciativa de deixar a função e não mencionou a versão de que o policial havia saído em razão de pressões de Tarso e autoridades da própria PF. Lula classificou de "insinuações" e "mentiras" versões de que o afastamento de Protógenes, anunciado na terça-feira, teve razões políticas. "Já falei com o ministro Tarso Genro para conversar com a Polícia Federal porque esse delegado tem que ficar no caso", disse o presidente. "Moralmente, esse cidadão tem de ficar no caso até terminar esse relatório e entregar ao Ministério Público, a não ser que ele não queira", afirmou.

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