Lula pede civilidade ao Senado

Em ato com fiéis da Igreja Presbiteriana, no Rio, presidente critica bate-boca ''abaixo da média''

Luciana Nunes Leal e Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem o bate-boca "abaixo da média" que tem dominado os embates no Senado, com hostilidades, xingamentos e até palavrão. Em discurso na primeira igreja presbiteriana do Brasil, no centro do Rio, Lula - que tem sido um constante defensor do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) - pediu mais civilidade aos parlamentares."Vamos ver os debates que estão acontecendo no nosso querido Senado. Uma instituição tão importante para a democracia deste país e, recentemente, o nível do debate está abaixo da média de compreensão da nossa sociedade. São todas pessoas formadas, acima de 35 anos. Em vez de prestarem atenção no que a TV (Senado) está transmitindo, eles poderiam agir de forma mais civilizada. As pessoas se agridem de tal modo que mesmo aquele cidadão que gosta de política fica sem compreender o que está acontecendo", disse o presidente, de improviso. O confronto mais duro no plenário do Senado aconteceu entre o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), principal defensor de Sarney, e o tucano Tasso Jereissati (CE). Renan chamou Tasso de "coronel de merda" e foi tachado de "cangaceiro de terceira categoria".No discurso, o presidente reclamou também do "preconceito contra o Bolsa-Família" e voltou a atacar os críticos que dizem que o programa desestimula os pobres a procurarem emprego. "É preconceito de quem acha que nós estamos ajudando os pobres a não quererem trabalhar. Pessoas que acham que estamos desmotivando o pobre a trabalhar. E só pode pensar assim uma pessoa que não conhece um pobre. Só pode pensar que R$ 85 ou R$ 100 faz uma pessoa não querer trabalhar quem pode dar R$ 100 de gorjeta depois de tomar meia dúzia de uísques", disse. POBREZAO presidente afirmou que seu governo "está reduzindo a desigualdade social, apesar da crise mundial" e frisou que 500 mil pessoas "deixaram a linha de pobreza nas principais regiões metropolitanas do País", entre outubro do ano passado e junho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2007-2008. Lula citou também programas voltados para a educação e o Luz para Todos. Segundo ele, o governo levou iluminação para 2 milhões de casas no interior do Norte e do Nordeste, estimulando a compra de 1,5 milhão de aparelhos de TV, 1,4 milhão de geladeiras e 978 mil aparelhos de som. "Querem coisa mais divina e obra de Deus mais poderosa?", perguntou Lula aos fiéis da Igreja Presbiteriana. Ao explicar que o dinheiro do Bolsa-Família é recebido pelas mulheres, porque elas são "mais responsáveis", Lula, sorridente, mostrou-se solidário com as donas de casa, mas acabou cometendo uma gafe. "Não tem nada mais chato que limpar a casa, limpar o banheiro, dar banho na criança. E olha que acabou o escovão, acabou o ferro elétrico a carvão", brincou, sem perceber que deveria ter falado "ferro de passar".

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