Lula pede atenção a ''picaretas'' que surgem na eleição

Em ato com pescadores, presidente ainda se queixa de demora na execução de obras e promete acionar Dilma

Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, alertou ontem que em época de eleições aparecem "picaretas" pretendendo "fazer de coisa séria um trampolim para a campanha". "Eu gostaria que entre nós prevalecesse apenas o compromisso da verdade, da mais absoluta verdade e somente a verdade", disse ele a cerca de 3,5 mil pessoas, a maioria pescadores, que se reuniram no Centro de Eventos de Itajaí, no litoral de Santa Catarina, a cerca de 80 quilômetros de Florianópolis.Segundo ele, nenhum governador ou prefeito poderá dizer que, nos quase sete anos de mandato, deixou de fazer alguma coisa em razão da filiação partidária da autoridade. "O que vale para fazer uma coisa é saber primeiro se a obra é necessária e, segundo, se tem projeto que pode ser concluído."Em seguida, Lula pediu que a verdade prevaleça sempre. "Está chegando a época da campanha e começam a aparecer alguns picaretas neste país querendo fazer de coisa séria um trampolim para campanha. E não é possível a gente permitir isso."Durante a sanção da Lei de Pesca e Aquicultura, Lula pediu que o ministro da pasta - criada oficialmente ontem -, Altemir Gregolin, faça uma campanha de conscientização para que os pescadores sejam beneficiados. "Não tem coisa mais triste que a gente brigar, disponibilizar dinheiro para alguma coisa e, depois que passam três, quatro, cinco ou seis meses, a gente perceber que aquela coisa não aconteceu", disse.Lula não perdeu a oportunidade de criticar a burocracia da máquina pública em um discurso que classificou como "desabafo", após cobrança do prefeito de Itajaí, Jandir Bellini (PP), para as obras de restauração do porto atingido pelas enchentes no ano passado. "No Brasil, hoje, tem mais gente para não permitir que se faça do que gente para fazer", afirmou. "O Brasil passou quase 30 anos sem dinheiro para investimento e foi destruindo a máquina de execução." Consciente de que a oposição tem feito críticas em razão de atraso em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Lula tratou de justificar que muitas delas esbarram na burocracia. "Este país foi construído para não funcionar", disse. "É preciso que a gente encontre um jeito de permitir que as coisas aconteçam para que a gente possa anunciar uma obra e ela acontecer."Lula disse ao governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), que viajará segunda-feira para a Líbia, mas deixará a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, incumbida de convidá-lo para tratar da restauração do porto, para o qual o próprio presidente liberou R$ 350 milhões há mais de seis meses. "Eu já estava pensando que vinha aqui para inaugurar e ainda tem problemas, quero saber o que está acontecendo."O presidente da Confederação Nacional de Pescadores, Ivo da Silva, agradeceu ao presidente a sanção da lei por meio de um verso: "Que o ano de 2010 demore muito para passar/E que os próximos quatro anos passem rápido para o Lula voltar."

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