Lula pede apoio da Alemanha em acordos sobre subsídios

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a seu colega alemão, Horst Koehler, apoio para avançar nas negociações da Rodada de Doha, sobre o fim dos subsídios agrícolas das nações desenvolvidas. Este tema também será tratado com o presidente norte-americano, George W. Bush, que chega ao Brasil nesta quinta-feira. "Se não houver acordo para possibilitar a chance dos países mais pobres se desenvolverem não haverá combate à pobreza, nem à fome, nem ao terrorismo. Está na hora de uma decisão política", afirmou Lula. O presidente destacou que pela primeira vez a discussão sobre as questões comerciais colocou em pauta a palavra desenvolvimento e pediu que a União Européia flexibilize o mercado agrícola para os mais pobres. Ele voltou a recorrer à metáfora do futebol para dizer que os países pobres já estão cansados de esperar uma decisão da União Européia e dos EUA. "Estamos chegando num momento em que os técnicos (diplomatas) estão como jogadores de futebol em fim de partida: sem fôlego para correr com a mesma intensidade que começaram o jogo", afirmou.O Brasil lidera um grupo de países em desenvolvimento que luta na Organização Mundial de Comércio (OMC) pela redução de subsídios agrícolas dos países ricos (veja mais informações sobre Rodada Doha no link ao lado).Koehler confirmou que o tema principal da conversa com Lula foi o comércio mundial e respondeu ao presidente brasileiro. "O Brasil está consciente que na Rodada de Doha cada um tem que dar um passo para a frente. A Rodada de Doha é chave para combater a pobreza. Temos que aproveitar essa oportunidade. Estou otimista e vamos levar essa negociação a bom termo." Depois de conversar com Bush, na sexta-feira, Lula vai ligar para a chanceler alemã, Angela Merkel, "para construir uma engenharia comercial para que possamos anunciar ao mundo que finalmente os países mais pobres terão uma chance de se desenvolver". O presidente alemão assegurou a Lula que Angela Merkel dará prioridade à reabertura das discussões de Doha.O presidente disse que espera que em três ou quatro semanas possa ser anunciada uma decisão a favor dos países pobres. "O que queremos é que a União Européia flexibilize o acesso ao seu mercado agrícola para os países mais pobres. Nem falo em nome do Brasil, que tem um setor agrícola competitivo", disse. Lula também tratou da matriz energética e apresentou ao presidente alemão o programa do biodiesel. "O presidente me convenceu como é importante o biodiesel. Seria importante que a Alemanha fosse um parceiro natural (nesse projeto)", disse Koehler.Ajuda alemãNo ano passado, Brasil e Alemanha movimentaram US$ 12 bilhões. No encontro com o presidente alemão, Lula pediu que empresários alemães invistam em projetos do Programa Aceleração do Crescimento (PAC). Logo após o discurso do presidente, Köhler fez elogios a projetos sociais do governo Lula e ao combustível alternativo brasileiro. "Vamos não só levar a sério a voz do Brasil, mas tomar decisões conjuntas", disse Köhler.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.