Lula pede ajuda a ministros contra crise no Senado

Presidente afirmou que ''é importante ser leal a Sarney porque há uma campanha pesada contra ele''

Tânia Monteiro e Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

14 de julho de 2009 | 00h00

Na véspera da instalação da CPI da Petrobrás, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos ministros que engrossem o coro de apoio ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para jogar água na fervura da crise política, garantir a governabilidade e evitar que a turbulência contamine a eleição de 2010. Em reunião ministerial realizada ontem, na Granja do Torto, Lula disse que a oposição está sem discurso, quer espicaçar o Planalto com a CPI - a ser instalada hoje - e pregou a união da base aliada para organizar a contraofensiva."É importante ser leal a Sarney porque há uma campanha pesada contra ele e não se pode individualizar as acusações", afirmou Lula. Para ele, os ministros indicados por partidos "têm de estar alinhados com suas bancadas" na defesa do presidente do Senado. "Precisamos partir para a ofensiva. Assim revertemos rapidamente esse quadro", comentou.Em tom irônico, o presidente disse que, além de comemorar a atual crise no Senado, a oposição também teve "seus 15 minutos de glória" em outros dois momentos: no episódio do mensalão, em 2005, e na derrota do governo na votação da CPMF, em 2007. Em seu diagnóstico, porém, isso só ocorreu porque os aliados ficaram na defensiva. A avaliação do governo é de que Sarney agiu bem ao anunciar a anulação de 663 atos secretos do Senado, que continham a nomeação de parentes e aliados do senador. "Toda a sociedade estava exigindo isso", observou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. "Foi o encaminhamento correto." O Planalto conta com as férias parlamentares no calendário político, a partir de sexta-feira, para esfriar a crise e ajudar Sarney, que apoia a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), à sucessão de Lula, em 2010. "Nós não tememos a CPI", repetiu Lula. Na prática, o governo escalou uma tropa de choque para blindar Sarney e impedir investigações da Petrobrás.Ao reafirmar o apoio ao senador, o presidente argumentou que a oposição "vive de criar crises e só sabe falar em choque de gestão e inchaço da máquina", mas admitiu que a maioria do governo no Senado é instável. Não foi só. Destacou a importância de aumentar sua base de apoio, de olho nas eleições de 2010.SAÍDA ANTECIPADADilma fez exposição sobre o marco regulatório do pré-sal e não fugiu do figurino de gestora nas dez horas de reunião. Coube a Lula falar de eleição e desestimular a saída antecipada dos ministros candidatos. Pela Lei Eleitoral, o prazo-limite para o afastamento daqueles que vão disputar as eleições é 3 de abril. Levantamento feito pelo Estado indica que 17 dos 35 ministros querem concorrer ao governo, ao Senado e à Câmara no ano que vem."Daqui a pouco muitos de vocês vão vir falar comigo, dizer que o partido precisa de vocês, que o povo quer, que o projeto do partido exige. Ninguém vai falar a verdade e dizer: ?Presidente, eu sou candidato?."Na conversa, ele deu a entender que a maioria dos que deixarem o governo será substituída pelos secretários executivos. Garantiu, ainda, que em 2010 fará menos viagens internacionais e ficará mais no Brasil "cuidando da política". "Lembrem-se que 2010 passa por um bom trabalho em 2009."

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