Lula pede acordo na OMC antes da sucessão de Bush

Ele elogia flexibilidade dos EUA e países europeus e acha possível fechar 'ainda este ano' a Rodada Doha, com redução dos subsídios agrícolas

Tânia Monteiro, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

26 de setembro de 2007 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mostrou otimista ontem quanto à possibilidade de fechar "ainda este ano" a Rodada Doha, com a redução dos subsídios agrícolas concedidos pelos países ricos a seus produtores. Depois de elogiar a nova posição de "flexibilidade" do presidente dos EUA, George W. Bush, e dos países europeus, Lula disse que as eleições americanas, no ano que vem, não vão atrapalhar nem atrasar a decisão sobre esse tema. "O mundo não pode esperar as eleições americanas para que a gente faça o acordo", declarou. Segundo ele, os países estão caminhando para a definição de um limite de subsídios que satisfaça a todos."Estamos mais perto de uma negociação do que em qualquer outro momento histórico", disse Lula. Mas reconheceu: "Vai ter ainda um pouquinho de dificuldade (nas negociações), porque ninguém quer ceder." Ele acredita que, se os subsídios agrícolas forem rebaixados até os US$ 13 bilhões , "dará para negociar". Para o presidente, os EUA sabem que o mundo precisa desse acordo e é preciso fazer gestos nesse sentido. "Essa é a nossa disposição e é por isso que eu estou mais otimista. Eu estou convencido de que ainda neste ano nós poderemos fechar, tranqüilamente, esse acordo, para a felicidade de todos nós."De acordo com Lula, os países mais pobres querem ter acesso ao mercado agrícola europeu e os europeus desejam que o Brasil e o G-20 abram seus mercados para os produtos industriais. "Brasil e Estados Unidos querem, também, que o acesso ao mercado agrícola europeu seja mais flexibilizado, e todos querem que o Brasil flexibilize os produtos industriais."Na avaliação do presidente, "já houve uma mudança de comportamento" de Bush e a Europa também está mais flexível. "Há mais disposição de conversar sobre os números." Em seguida, ele citou os parceiros do Brasil nesse processo, entre os quais, a Índia, a China, a África do Sul, a Argentina e o México. "O Brasil tem os seus parceiros, e nós também precisamos começar a mexer com os nossos números. Agora, tudo isso será feito como se estivéssemos, eu diria, numa mesa de negociação, e os números só serão apresentados na medida em que cada um for apresentando o seu número." A proposta mais recente prevê que os subsídios ficariam entre US$ 16,4 bilhões e US$ 13 bilhões. Lula citou ainda a conversa que teve com o presidente da França, Nicholas Sarkozy. Segundo ele, o colega francês "está totalmente engajado" na luta pela reforma das Nações Unidas e pela mudança do procedimento e da forma de funcionamento do G-8. "Estamos confluindo para um momento político importante, tanto para fechar o acordo da Rodada de Doha, quanto para a gente apressar a reforma das Nações Unidas", disse. A reforma do Conselho de Segurança da ONU, com a entrada do Brasil como membro permanente, foi outro tema da conversa com Sarkozy. PROTECIONISMONo discurso que fez na abertura da Assembléia Geral da ONU, o presidente classificou como "inaceitáveis os exorbitantes subsídios agrícolas, que enriquecem os ricos e empobrecem os mais pobres". "É inadmissível um protecionismo que perpetua a dependência e o subdesenvolvimento", criticou. "O Brasil não poupará esforços para o êxito das negociações, que devem beneficiar sobretudo os países mais pobres." Segundo ele, a superação definitiva da pobreza exige mais do que solidariedade internacional. Considera que ela passa, necessariamente, por novas relações econômicas que não prejudiquem os países pobres. "A Rodada Doha da OMC deve promover um verdadeiro pacto pelo desenvolvimento, aprovando regras justas e equilibradas para o comércio internacional", declarou. "A construção de uma nova ordem internacional não é uma figura de retórica, mas um requisito de sensatez."Lula disse ainda que o Brasil se orgulha da contribuição que tem dado para a integração sul-americana, sobretudo no Mercosul. Afirmou que o País tem atuado para aproximar povos e regiões, impulsionando o diálogo político e o intercâmbio econômico com nações árabes, africanas e asiáticas, sem abdicar de seus parceiros tradicionais. FRASESLuiz Inácio Lula da SilvaPresidente"O mundo não pode esperar as eleições americanas para que a gente faça o acordo""Estamos mais perto de uma negociação do que em qualquer outro momento. Vai ter aindaum pouquinho de dificuldade""Há mais disposição de conversar sobre números. O Brasil tem seus parceiros, e nós também precisamos começar a mexer com os nossos números"

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