Lula pede à PF fim de 'pirotecnia' nas operações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou hoje da Polícia Federal (PF) o fim da "pirotecnia" nas operações. Em discurso de improviso a uma plateia de agentes federais na sede da instituição, em Brasília, na solenidade de comemoração dos 65 anos da corporação, o presidente exigiu sigilo de informações nas investigações. "O papel de vocês é sagrado. Deixem para nós, políticos, aparecerem", afirmou. Porém, Lula também disse que a PF é uma das instituições mais bem avaliadas pelas pesquisas de opinião.

LEONÊNCIO NOSSA E VANNILDO MENDES, Agencia Estado

26 de março de 2009 | 16h47

Ele deixou um claro recado que está dando atenção à aprovação da Lei Orgânica da corporação, que definirá direitos e deveres dos agentes. "Podem ter certeza de uma coisa: tem gente que acha que ser importante é aparecer na capa de jornal, dar entrevista na televisão, fazer pirotecnia e dar entrevista no rádio", afirmou ele, sem citar nomes. "O importante é a gente ser visto com respeito e ser olhado como justo, como quem não tenta tirar proveito da autoridade policial."

O presidente também cobrou discrição por parte do Judiciário e do Ministério Público (MP). "O Brasil deve se orgulhar do Ministério Público que tem, da Polícia Federal que tem." Mesmo em tom de bronca, Lula fez uma brincadeira: "Políticos quando abrem a geladeira acham que estão dando entrevista para a televisão", afirmou ele, comparando a luz do eletrodoméstico à iluminação utilizada pelas televisões. "Nem o Judiciário nem o Ministério Público nem a PF precisam disso. Deixem isso para nós, políticos", disse.

Lula não fez citações diretas ao delegado Protógenes Queiroz, que está sendo investigado pela corregedoria da PF por suspeitas de ter grampeado telefones de autoridades sem autorização judicial durante as investigações da operação Satiagraha, que chegou a prender o ex-banqueiro e sócio-fundador do grupo Oportunity Daniel Dantas e o ex-prefeito da capital paulista Celso Pitta.

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