JF Diorio/AE - 09/11/2009
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Lula participa de homenagem a José Alencar em São Paulo

Em ambiente de descontração, presidente da República disse que 'aguentaria mais cinco anos de batalha'

ANNE WARTH, Agencia Estado

09 de novembro de 2009 | 23h16

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na noite desta segunda-feira, 9, que o vice-presidente José Alencar é a sua "cara-metade política". Durante evento em homenagem a Alencar, que recebeu o título de presidente honorário da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Lula afirmou que ele e Alencar são duas peças que se encaixam perfeitamente bem e que o vice-presidente foi uma espécie de "fundo garantidor" que ele precisava para ganhar as eleições para a Presidência da República. "Quando nos conhecemos, eu tinha 58 anos e Alencar, 70. Quem sabe eu não tivesse perdido tanta eleição se tivéssemos nos conhecido antes", disse Lula, em discurso. "Por simplicidade e companheirismo, Alencar nunca vai reconhecer, mas a verdade é que eu já estava cansado de ter sempre 30% de votos nas eleições", acrescentou Lula.

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Por diversas vezes, Alencar se emocionou durante a homenagem da Fiesp, principalmente quando Lula fez referências à relação entre o vice-presidente e seu pai. "É difícil que tenha havido na história política do País um presidente que confiasse tanto em seu vice quando eu em Alencar", declarou Lula. Muito à vontade durante seu discurso, o presidente afirmou que é possível contar nos dedos da mão os verdadeiros companheiros que encontrou em sua vida. "Eu já tenho um dedo a menos", brincou o presidente, divertindo a plateia de empresários da Fiesp. "Você, Zé, foi muito mais meu companheiro na época das vacas magras do que na das vacas gordas", afirmou Lula.

O presidente aproveitou o clima descontraído para afirmar que ele e Alencar aceitariam continuar na Presidência após 2010 caso isso fosse possível. "Nós dois até aguentaríamos mais cinco anos de batalha, mas como democratas que somos, vamos esperar esse jogo ser jogado", disse ele, diante do governador de São Paulo, José Serra, e da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, possíveis candidatos à presidência da República pelo PSDB e pelo PT, respectivamente. Lula não resistiu e logo no início de sua fala deu uma alfinetada em Serra, que também discursou pouco antes dele. Ao iniciar os cumprimentos aos presentes no evento, ele afirmou que não precisava lembrar todos os presentes. "Como não sou candidato a nada, não preciso cumprimentar ninguém", afirmou, em tom de brincadeira.

Muito emocionado, Alencar disse que Lula é "ultrageneroso" ao se referir a ele. "Tenho consciência de que só sou vice-presidente graças a Lula. As pessoas não votam no vice, votam no candidato a presidente. Procurei não atrapalhar nas duas campanhas, e acho que não atrapalhei", afirmou Alencar. "Tem valido a pena acompanhar seu admirável trabalho, que tem conduzido o Brasil a uma posição de prestígio no mundo", disse Alencar, para quem as "condições excepcionais" da economia brasileira têm sido reconhecidas internacionalmente. Crítico tradicional da taxa básica de juros da economia brasileira, Alencar não perdeu a chance de brincar com o presidente. "Tudo isso não tem acontecido graças aos juros altos, não, mas apesar deles", declarou.

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