Lula orienta aliados a barrar reajuste maior a aposentado

Outro projeto prevê verba maior à saúde; propostas são de autoria do PT, mas presidente alega falta de recurso

Tânia Monteiro e Cida Fontes, de O Estado de S. Paulo,

24 de abril de 2008 | 14h26

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou sua base a não colocar em votação, na Câmara, os projetos aprovados pelo Senado que oneram os cofres públicos, enquanto não forem encontradas as fontes de recursos. São os projetos que tratam do aumento de recursos da saúde com base na receita bruta; do fim do fator previdenciário; e da vinculação dos benefícios dos aposentados que recebem acima do teto ao reajuste do salário mínimo.Veja também:  Lula quer evitar derrota na Câmara; Governo teme custo maior Lula ataca projeto que eleva reajuste a aposentado Segundo relato de participantes da reunião do Conselho Político, que terminou no início da tarde desta quinta-feira, 24, no Palácio do Planalto, o presidente considerou irresponsável a atitude dos senadores Paulo Paim (RS) e Tião Viana (AC), ambos do PT, pela autoria dos projetos. "É uma irresponsabilidade dos companheiros. Se eles fizeram isso, agora precisam assumir a responsabilidade dos gastos", afirmou o presidente que orientou os líderes dos partidos aliados a não cederem às pressões da oposição para votar esses projetos. Pelos cálculos do governo, as três propostas aprovadas pelo Senado representam um gasto de R$ 49,5 bilhões, até 2011. Só a proposta que trata da saúde terá um impacto de R$ 7,4 bilhões, agora em 2008; R$ 11,9 bilhões, em 2009; R$ 17 bilhões, em 2010 e R$ 23 bilhões em 2011. Já os dois projetos ligados à Previdência Social causariam um impacto de R$ 4,4 bilhões nas contas do governo, só neste ano. Ao sair da reunião do Conselho, o líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS) disse que não há fontes de recursos no momento para bancar o pagamento das propostas aprovadas pelo Senado. Segundo ele "é demagógico e irresponsável" o discurso da oposição de que há excesso de arrecadação e que os recursos para bancar esse aumento de despesa poderiam sair daí.  Fontana informou que na próxima semana haverá várias reuniões para buscar alternativas de recursos. Uma delas, comentou, seria a cobrança dos planos de saúde que usam o sistema público para os seus atendimentos. Segundo ele os cálculos iniciais de receita variam de R$ 3 bilhões a 5 bilhões por ano.

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