Lula oferece recursos para pesquisa científica antártica

Militares-acostumados às fortes restrições orçamentárias- se surpreenderam com atitude do presidente Lula

TÂNIA MONTEIRO, ENVIADA ESPECIAL, Agencia Estado

16 de fevereiro de 2008 | 11h32

Acostumados às fortes restrições orçamentárias e aos constantes avisos de cortes de verba, principalmente depois da queda da CPMF, os militares se surpreenderam neste sábado, 15,  com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de ouvir uma palestra sobre os trabalhos desenvolvidos na estação antártica brasileira, o presidente Lula quis saber quanto, em recursos, os militares e os cientistas precisavam para ter um setor de pesquisa científica antártica "top de linha, impecável" e avisou que estava aguardando os pedidos de mais recursos para viabilização das pesquisas para a região. "Chegamos aqui em 1982, no momento em que o Brasil estava em crise de desenvolvimento. Ou seja, de 1980 até agora há pouco o Brasil praticamente ficou estagnado. Hoje o Brasil vive um momento mais promissor e acho que é o momento de vocês apertarem a caneta e apresentarem sua pauta de projetos e reivindicações", declarou o presidente, acostumado a ouvir sempre "choradeiras" e pedidos de verbas, por todo lugar onde anda. "Quantos presidentes já vieram aqui?", quis saber Lula, ouvindo que, presidente, antes dele, só Fernando Collor, e que Itamar Franco esteve como vice-presidente e Fernando Henrique Cardoso, como senador."Vocês não apresentam uma pauta quando o presidente vem?", insistiu ele, avisando, em seguida, que a hora é de crescer e investir em tecnologia e que "as pretensões do Brasil na Antártida não são territoriais, mas científicas". Segundo Lula, "quanto mais tiver investimento, quanto mais modernização na base, mais chance teremos de entrar para a história como um importante país que tem resultados em pesquisa na região". Coube ao comandante da Marinha, almirante Júlio de Moura Neto, depois de reconhecer que os recursos que estão sendo transferidos para o setor estavam atendendo às necessidades preliminares, avisar que, além dos R$ 12 milhões para a manutenção da base e dos R$ 2,5 milhões para a modernização das instalações, eram necessários mais R$ 10 milhões "para terminar os trabalhos de revitalização da estação".   Lula quis saber qual o projeto científico mais importante realizado na base e foi informado que era ligado a questões meteorológicas. Segundo o almirante, os estudos que ali são desenvolvidos são importantes para se ter conhecimento sobre o clima do Brasil e, por exemplo, a influência dele sobre a safra agrícola.

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