Lula oferece ajuda para erguer usinas na Nicarágua

Presidente promove biocombustíveis em visita ao país centro-americano.

Denize Bacoccina, BBC

08 de agosto de 2007 | 18h02

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu nesta quarta-feira ajuda brasileira para resolver o problema de energia elétrica da Nicarágua, que sofre com racionamento e tem sete horas de apagão diário."O governo brasileiro está disposto a discutir com a Nicarágua financiamento, participação de empresas e (ajuda para) construir as hidrelétricas que precisam ser construídas na Nicarágua", afirmou Lula no início de uma reunião entre os dois presidentes e ministros dos dois governos, em Manágua."A Nicarágua não pode continuar com sete horas de apagão por dia. Emergencialmente é aquele (tipo de energia) que chegar primeiro. E a médio prazo, é preciso utilizar potencial hídrico", disse Lula.De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, os ministros discutiram em reunião privada os detalhes da hidrelétrica que deve ser construída no norte do país por uma empresa brasileira, provavelmente financiada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico), em um volume estimado entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões."Nas próximas semanas, uma missão irá ao Brasil para avaliar o projeto técnico e discutir o financiamento", disse o ministro à BBC Brasil. Segundo Miguel Jorge, a garantia de pagamento do empréstimo podem ser os próprios recursos da venda da energia, em um esquema semelhante a financiamentos já existentes em Angola.Além de oferecer ajuda para as hidrelétricas, o presidente Lula também fez muita propaganda do programa brasileiro de biocombustíveis - um tema que opõe, de um lado, os presidentes da Nicarágua, Daniel Ortega, de Cuba, Fidel Castro, e da Venezuela, Hugo Chávez, e do outro, Lula e o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.Enquanto Lula e Bush defendem o etanol como uma alternativa viável aos combustíveis derivados do petróleo, os demais líderes têm criticado publicamente a produção do álcool a partir de alimentos, dizendo que isso representa uma ameaça à segurança alimentar dos países.Lula apresentou dados mostrando que a plantação de cana no Brasil não destrói a floresta nem ameaça a segurança alimentar e disse que o biodiesel cria empregos no campo, especialmente para as famílias de menor renda.O presidente Ortega afirmou que não é contra o etanol brasileiro, mas sim o etanol dos Estados Unidos, feito de milho."É inadmissível que, na Nicarágua, se produza etanol de milho. É atentar contra um produto básico. É um crime", afirmou, antes de acrescentar que não tem divergências com Lula sobre a conveniência de se produzir etanol no país, que já planta cana-de-açúcar."Nós temos uma discrepância não com Lula, mas com Bush, que saiu com essa produção de etanol de milho", afirmou.O presidente Lula ressaltou que cada país deve decidir "de maneira soberana" a matriz energética que quer utilizar e que o Brasil não quer ter "uma posição de hegemonia, mas de parceria".Em uma referência à oposição de Ortega ao etanol de milho, Lula disse ao nicaragüense - que havia recebido do brasileiro um cravo - que também não pretendia fazer o combustível usando a flor como matéria-prima.Ao encerrar seu discurso, Lula voltou à metáfora e pegou o cravo de volta do bolso de Ortega. "Mé dá aqui o cravo da paz", afirmou.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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