Lula nomeia secretário-adjunto para substituir Matilde

Ex-ministra pediu demissão na sexta-feira da Igualdade Racial após denúncias de abuso com cartão corporativo

NERI VITOR EICH, Agencia Estado

06 de fevereiro de 2008 | 12h20

Com a saída de Matilde Ribeiro da Secretária Especial da Políticas de Promoção da Igualdade Racial - após a revelação que ela utilizou irregularmente o cartão corporativo da Presidência da República -, quem assume o cargo é o secretário-adjunto, Martvs Antonio Alves das Chagas.  Veja Também: Lula libera cargos para barrar CPI Entenda o que são os cartões corporativos do governo   A nomeação dele para exercer interinamente a função consta de decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicado na edição de hoje do "Diário Oficial da União". Outro decreto presidencial exonera Matilde Ribeiro do cargo, "a pedido" dela. No caso de Martvs das Chagas, o decreto diz que ele comandará interinamente a Secretaria Especial "sem prejuízo das atribuições do (cargo) que atualmente ocupa."  Surpreendido com a continuidade da agenda negativa em torno dos gastos da Presidência da República, mesmo após a demissão da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, o governo tentará barrar a abertura de uma CPI para investigar compras irregulares com cartões corporativos adoçando a boca da base aliada. Depois de um duelo interminável por diretorias da Eletrobrás, da Eletronorte e da Eletrosul, o Palácio do Planalto vai acelerar as discussões sobre a partilha de cargos no setor elétrico para terminar a semana sem nenhuma pendência com o PMDB.A estratégia foi autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma conversa por telefone com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que se reunirá hoje com os colegas Edison Lobão (Minas e Energia) e José Múcio Monteiro (Relações Institucionais). Até mesmo Dilma, que defendeu a nomeação de técnicos para as estatais de energia, comprando briga com Lobão e a cúpula do PMDB, foi convencida de que é preciso ceder. A tática do Planalto consiste agora em evitar que deputados e senadores aliados dêem o troco no governo, na volta das férias parlamentares, por não terem suas reivindicações atendidas.Antes de viajar para o Guarujá, na sexta-feira, Lula avaliava que a demissão de Matilde poria um ponto final na crise envolvendo a farra dos cartões corporativos. Não foi o que aconteceu. Durante o carnaval surgiram informações de que dois militares destacados para fazer a segurança de sua filha, Lurian Cordeiro Lula da Silva, usaram o cartão, em Florianópolis, para pagar despesas em lojas de materiais de construção, autopeças, ferragens, supermercados e postos de gasolina.

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