Lula nega 'barganha' e diz que derrota faz parte do 'jogo'

Após reunião, presidente diz resolve saída para manter secretaria de Mangabeira Unger na próxima segunda

Cida Fontes e Denise Chrispim Marin, do Estadão

27 de setembro de 2007 | 15h45

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou nesta quinta-feira, 27, que o PMDB  havia pedido cargo para apoiar a medida provisória  que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo , derrotada na última quarta-feira. Lula disse  que seu governo não entraria nesse tipo de "barganha" e que a derrota faz parte do jogo democrático.       Veja Também:      Para ministro, rejeição à MP da secretaria foi 'decisão política'      Derrubamos secretaria por 'insatisfação', admite Renan   "Eu não barganho assim. Eu faço acordo programático, faço acordo com partido. Mas não é possível ficar barganhando cada projeto que vai ao Congresso", disse. Lula garantiu que não teve qualquer conversa com senadores nesta quinta e que se mantém muito tranqüilo.   Lula se reuniu com líderes no Planalto nesta tarde e  informou que apenas na segunda-feira, depois das viagens que fará a São Paulo e Rio de Janeiro, tomará uma decisão sobre uma saída para manter a secretaria, que estaria sob comando do professor Mangabeira Unger. Lula preferiu não responder pergunta sobre a possibilidade de enviar uma nova MP ao Congresso.   Ele insistiu que não havia nenhum motivo para o Senado derrubar a medida provisória criada para "maturar sobre que tipo de Brasil nós queremos entregar ao nossos netos e bisnetos em 2022". Ele atribuiu, porém, a decisão do Senado às regras democráticas.   "A democracia tem isso. Na democracia se ganha uma, se perde outra. Se ganha duas, se perde duas". E completou: "Para mim, esse exercício da democracia é um exercício que respeito". Ele lembrou ainda que o Congresso pode melhorar os projetos enviados pelo Executivo e que, se piorarem, ele veta. "Eu tenho o direito de veto", pontificou.   Para mim, essas coisas não são para deixar ninguém nervoso, irritado, achando que o mundo acabou"   Sem chantagem   Na avaliação do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) ,  não houve uma chantagem por parte da bancada do PMDB, que votou contra o governo, e que a tendência em relação a cargos no segundo escalão e liberação de recursos de emendas parlamentares é de serem tratadas pelo líder da bancada, senador Waldir Raupp, que não participou do almoço e terá um encontro separado com Mares Guia.   O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) disse- após almoço com ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia- que a crise envolvendo o PMDB e o governo no Senado deve ser resolvida antes da votação da emenda constitucional que prorroga a CPMF.   "Vamos ajustar qualquer curto-circuito antes da CPMF".     "É preciso procurar uma solução política. O governo não se sente traído, mas esperava lealdade da base", disse Jucá, ressaltando que senadores do PDT e PP também votaram contra o governo.

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