Lula não vê chance de candidatura única

O presidente do honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quarta-feira que não vê mais possibilidades de um acordo para uma candidatura única dos partidos de oposição à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno das eleições de 2002. "Acalentamos um sonho por mais de um ano, sonhamos por muito tempo, mas, agora, não vejo possibilidades disso", disse. Indiretamente, Lula responsabilizou o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes pela dificuldade de formação de uma chapa única das esquerdas. Ciro Gomes também vê dificuldades para a constituição desta candidatura única, mas voltou a defender a discussão, pela oposição, de uma agenda econômica como forma de mostrar ao mercado e à opinião pública que, se um candidato de esquerda for eleito, agirá com responsabilidade, mantendo os pilares da economia estabelecidos pela equipe econômica de Fernando Henrique: estabilidade fiscal e monetária. O ex-ministro da Fazenda está preocupado com o fato de agências de classificação de risco divulgarem que uma eventual vitória de um candidato da esquerda levará o País à instabilidade econômica."Mesmo que os partidos de esquerda não formem uma chapa única, os candidatos precisam agir com responsabilidade e fechar a agenda como sinalização positiva para os demais países", afirmou. Ciro Gomes voltou a dizer que a candidatura dele é irreversível, a menos que haja articulação para uma ampla chapa da oposição, que inclua até mesmo o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB).Mas ele reconhece que as chances de que isso venha a ocorrer sejam praticamente nulas, em razão das dificuldades internas do PMDB, que tem aliados ao governo Fernando Henrique. Para Lula, Ciro Gomes prega para imprensa a necessidade de uma aliança das esquerdas, mas não participa sequer das reuniões realizadas pelo PT com outras legendas da oposição."Tem pessoas que falam da história da unidade da esquerda, mas não trabalham para isso", atacou, acrescentando que, até hoje, não houve uma conversa reunindo PT, PPS, PDT e PSB. "O Ciro nunca participou de uma reunião conosco; não se pode inventar coisas: o PPS é convidado, mas nunca foi às reuniões."O presidente de honra do PT disse que é preciso manter "as portas abertas" para uma eventual composição no segundo turno das eleições.Nesta quarta-feira, acompanhado do presidente nacional da sigla, deputado José Dirceu (SP), Lula conversou com dois senadores que tem tido divergências nas agremiações: José Alencar (PMDB-MG) e Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ). Alencar tem sido apontado como possível candidato a vice-presidente numa chapa com Lula. Eles negaram que o encontro tenha sido para conversar sobre candidaturas ou convite aos dois parlamentares a ingressarem no PT.Segundo Lula, são conversas políticas para conhecer o cenário político. "Queremos ver como o Saturnino está vendo o quadro político e dentro do PPS", disse. "Estamos num jogo de xadrez e só mexeremos a pedra depois de ver a possibilidade de xeque-mate", comparou. Para o PT, pode ser mais interessante que Braga se mantenha no PPS e consiga vencer a briga interna, levando o partido a uma adesão ao PT.Alencar empolgou-se com a visita de Lula e, embora tenha descartado que pretenda deixar o PMDB neste momento, disse que o presiodente de honra do PT é a melhor opção para o Brasil em 2002. "O Brasil de hoje espera alternância, e Lula é a grande opção para isso", disse Alencar. "O Brasil tem de perder o medo de ser feliz", acrescentou, parafraseando o slogan usado nas eleições pelo PT.Lula, por sua vez, fez mistério sobre a possibilidade de Alencar ser o candidato a vice-presidente nas eleições de 2002."Minas é o segundo colégio eleitoral do País, mas não há definição de vice, nem do cabeça da chapa."

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