Lula não vai ´venezuelizar´ encontro com Bush, diz Amorim

Às vésperas da chegada do presidente americano, George W. Bush, ao Brasil, o chanceler Celso Amorim deixou claro que a visita não afastará o Brasil da Venezuela. "O Brasil não tem de discutir a situação interna de nenhum país", afirmou o ministro das Relações Exteriores, que na segunda-feira, 5, esteve em Genebra.A expectativa é que Bush fale sobre o governo de Hugo Chávez com Lula, já que o líder venezuelano se transformou no principal inimigo do presidente americano na região. "Bush terá de ver com clareza que a integração é muito importante para a região e a democracia do continente", observou Amorim.O ministro admite que a situação da região fará parte dos debates. "Mas por um prisma da integração", garantiu. "Não vamos ´venezuelizar´ o encontro de Bush e Lula. Não pretendemos fazer isso e não acredito que os americanos tenham esse interesse."No último encontro entre Bush e Lula, em junho, na Rússia, o presidente americano fez questão de falar sobre a Venezuela e pedir que o colega brasileiro atuasse para levar Chávez a adotar posições menos radicais e garantir a democracia.Amorim não acredita na teoria de que Bush quer promover o etanol nas Américas para barrar a crescente influência de Chávez e seu petróleo. O ministro diz que a própria Venezuela já faz parte de grupos de estudo sobre o etanol na região. "Além disso, temos notícias de que a Venezuela fará 11 usinas de etanol usando bagaço da cana-de-açúcar produzida em Cuba."Subsídios Se na questão venezuelana o Brasil reforçou a posição de neutralidade, sobre o risco de fracasso da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), Lula instigará Bush a oferecer um corte maior dos subsídios que os EUA concedem aos agricultores. A apresentação dessa nova oferta será a única saída para a conclusão de um pré-acordo sobre o capítulo agrícola da Rodada até o fim do mês. O cumprimento desse prazo, por sua vez, é essencial para evitar o fracasso da negociação multilateral, lançada em 2001, e a conseqüente ruína da própria OMC. E é a chance de abertura dos mercados agrícolas mais desenvolvidos e de eliminação das medidas que distorcem o comércio.(Colaborou Denise Chrispim Marin)

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