Lula não teme rejeição da CPMF e diz que é 'interesse' do País

Para o presidente, proposta de prorrogação da CPMF no 2º turno da Câmara é 'responsabilidade das pessoas'

Denise Chrispim, do Estadão

27 de setembro de 2007 | 17h11

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetiu duas vezes, nesta quinta-feira, 27, que não teme a rejeição da proposta de prorrogação da CPMF no segundo turno de votações pela Câmara. "Não temo. Não temo. Sabem por que? Porque as pessoas tem que ter a responsabilidade. Essas coisas não são do meu interesse. Elas são do interesse do Brasil", argumentou Lula.  Veja também:Especial sobre a CPMF  Em troca da CPMF, governo dá ao PMDB diretoria da PetrobrasGoverno 'dá baile' na oposição na luta para aprovar CPMF  Após 'rebelião' do PMDB, base tenta retomar votação da CPMF Por CPMF, governo cede em fim de voto secreto "Lamentavelmente, algumas pessoas não percebem que nós levamos um século para fazer o Brasil chegar à situação que chegou", completou. Ele insistiu que o Brasil vive um momento de elevada respeitabilidade internacionalmente e de alta credibilidade nas áreas econômica e comercial.  "Nunca entrou tanto dólar no Brasil, como tem entrado", afirmou. "Dólar para investimento", ressalvou. Para o presidente, a situação da economia brasileira está tranqüila e há melhora nas condições de vida da população. O presidente deu essas declarações após o almoço no Itamaraty oferecido ao presidente do Casaquistão, Nursultan Nazarbayev.   Nesta madrugada, a Câmara aprovou em primeiro turno a prorrogação do tributo até 31 de dezembro de 2011. A sessão foi concluída às 2h31 e manteve o texto aprovado no dia 20 ao rejeitar todas as emendas e destaques à proposta feitos pela oposição. Para tentar concluir a votação em primeiro turno na madrugada desta quinta-feira, o governo acertou com o PMDB na quarta-feira a entrega de uma diretoria da Petrobras. O mais provável é que o partido fique com a Diretoria Internacional, e o nome mais cotado para o posto é o de João Augusto Fernandes, um peemedebista de Minas. Depois de acalmar o PMDB com essa promessa, o governo promoveu um enxugamento na quantidade de emendas e destaques à proposta da CPMF feitos pela oposição. Com maioria folgada na Câmara, usou todos os instrumentos regimentais e conseguiu reduzir de 36 para 11 o número de votações para concluir o primeiro turno. Todas as emendas e destaques foram reprovados pelo plenário. Já no Senado, na quarta-feira, o PMDB promoveu um levante. Insatisfeito com as nomeações do Palácio do Planalto e com a demora na liberação de emendas, ajudou a derrubar medida provisória do governo que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, que já funcionava sob o comando de Roberto Mangabeira Unger.  2º turno A proposta que prorroga a cobrança da CPMF só deverá ser votada em segundo turno pelo plenário da Câmara daqui a doze dias. Entre o primeiro e segundo turno de votação é necessário cumprir o prazo de cinco sessões ordinárias da Câmara, que começa a ser contado a partir de sexta-feira, 28.  Se houver quórum para todas as sessões previstas, esse prazo só terminará na quinta-feira, dia 4 de outubro, à tarde, dia tradicionalmente de baixa presença de deputados em Brasília e sem perspectiva de votação de projetos de emenda constitucional que exigem 308 votos para a sua aprovação, como é o caso do projeto da CPMF. A previsão, no entanto, é votar no dia 9 de outubro, terça-feira.  

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