Andre Dusek/AE
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Lula não quer crise no Senado e chama denúncia de coisa menor

Presidente defendeu Sarney, como na semana passada, e diz que ele já está investigando as denúncias

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

25 de junho de 2009 | 17h30

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 25, que "não quer transformar as coisas que aconteceram no Senado em uma crise institucional", referindo-se às denúncias sobre atos secretos, nepotismo e atuação do neto de Sarney em operações com crédito consignado aos servidores da Casa, publicadas na edição desta quinta do Estado. Lula defendeu a apuração de todas as denúncias para evitar que as discussões girem em torno desses fatos, como vem ocorrendo há mais de um mês. "Tem uma, duas, várias denúncias. Mas tem uma fase de apuração. Então, apure-se e tome-se as medidas. O que não pode é um país que tem coisas importantes para fazer, a gente ficar um mês inteiro tratando de coisas menores", disse.

 

Advertido sobre a gravidade das denúncias, Lula afirmou que o Tribunal de Contas da União (TCU) deve investigá-las. Disse ainda que desconhece a existência de contas secretas. Lula voltou a defender Sarney, como na semana passada: "Sarney foi eleito. Os senadores elegeram ele. Ele tem um compromisso de fazer apuração e ele disse que está apurando isso. Só espero que haja apuração".

 

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O senador Pedro Simon (PMDB-RS) subiu à tribuna nesta quinta e pediu para que Sarney saia do cargo. "Eu digo aqui com profundo sentimento de mágoa, não gostaria de dizer o que vou dizer: Sarney tem que se afastar da presidência. Já falei isso, não da tribuna, mas falei. Ele deve se afastar. Para o bem dele, da família dele e do Senado. Não que a saída dele signifique auto-culpa, punição, pelo contrário. Representa ato de grandeza", defendeu Simon.

 

Pouco antes, em entrevista ao estadao.com.br, Simon explicou que tomou a decisão de ir à tribuna  após a nova denúncia publicada em O Estado de S. Paulo, segundo a qual um neto de Sarney - José Adriano Cordeiro Sarney - é um dos operadores do esquema de crédito consignado para funcionários da Casa.  para Simon, Sarney já dá sinais de que também quer se afastar.

 

O PSOL informou que vai entrar com representação no Conselho de Ética do Senado contra contra Sarney e contra os ex-presidentes Renan Calheiros (PMDB-AL) e Garibaldi Alves (PMDB-RN). Internamente, o PSOL discute se as representações serão protocoladas nesta quinta-feira, 24, como defende Heloisa Helena, ou se na próxima semana. A representação do PSOL pode obrigar Sarney a se afastar. Uma resolução do Senado prevê afastamento preventivo quando membro da Mesa Diretora é alvo de processo.

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