Lula não promete 'mansão' em favela no Rio, mas 'cidadania'

Presidente libera recursos do PAC e diz que obras serão feitas para que sintam 'que o Estado está participando'

Agência Estado e Reuters,

30 de novembro de 2007 | 12h32

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira, 30, da assinatura de convênios do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras nas comunidades do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, na zona Sul do Rio, no valor de R$ 35,2 milhões. Durante a visita, ele prometeu novas ações para dar mais "cidadania" à população no seu segundo mandato, mas disse que os governos estaduais precisam ajudar nesta tarefa.  Veja também:  Vídeo institucional do governo mostra como deve ficar a favela  Favelados no Rio estão sendo 'transferidos para periferia'   "Não vamos dizer que vamos construir mansão, porque não temos dinheiro para isso, mas precisamos transformar onde vocês moram num lugar decente e digno que vocês possam se orgulhar de morar", afirmou o presidente em discurso durante visita às comunidades Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na zona sul do Rio de Janeiro.  "Quando pensamos o PAC, resolvemos que era preciso levar cidadania plena ao povo que mora em condições desfavoráveis", disse. "Rico quando mora no morro é chique, pobre é favela, é vergonha", continuou o presidente. Para os moradores, entretanto, os investimentos chegam atrasados. Há mais de uma semana sem água, com o único posto de saúde da comunidade fechado e preocupados em educar seus filhos longe do tráfico de drogas, os moradores das favelas lamentaram que a violência tenha se instalado no morro enquanto o poder público estava ausente.  "Nos próximos quatro anos temos condições de fazer mais do que já fizemos. Para isso, temos que construir as parcerias com os governos, que significam melhorias para as crianças, saúde, mais trabalho e mais cidadania para todo mundo", disse Lula, recebido por uma escola de samba formada por jovens da comunidade.  Lula ligou sutilmente as obras de urbanização das comunidades carentes à questão da violência no Rio, afirmando que as obras serão feitas "para as pessoas sentirem que o Estado está participando". Ele criticou a imprensa afirmando achar que "não é justo o Rio de Janeiro aparecer nos jornais apenas nas páginas policiais. Do jeito que aparece, aqui está uma desgraceira só, quando não está", afirmou. De acordo com Lula, "bandido tem em todos os lugares" e 99% das pessoas são trabalhadoras.  Caveirão Pouco antes da chegada de Lula à favela, um dos carros blindados da polícia fluminense, conhecidos como "caveirão", deixou a comunidade. Policiais armados com fuzis protegiam os acessos, e outros à paisana ocuparam locais estratégicos do morro, segundo relato de policiais no local.  As janelas das casas em frente à escola que foi sede da cerimônia estavam vazias, e poucas pessoas foram às ruas tentar ver o presidente. A quadra onde Lula discursou, entretanto, ficou lotada, especialmente por crianças do único projeto social existente no local. O próprio presidente reconheceu o atraso das ações públicas em áreas carentes. "Essa urbanização que nós queremos levar não é apenas uma rua, tem que ter centro de lazer, segurança, escola, posto médico... para então as pessoas começarem a acreditar que o Estado está cumprindo com a sua finalidade", afirmou Lula. Boa relação  O presidente destacou, mais uma vez, a boa relação que mantém com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), de quem estava acompanhado, e fez críticas ao governo anterior, de Rosinha Matheus (PMDB).  "A disposição do governador e de seu secretariado para agilizar as coisas é quase uma revolução no comportamento do Rio. Vivi outro período e não dá para contar como a relação era ruim, parecia que tudo era disputa", afirmou Lula.  O presidente disse ainda que na próxima semana vai se reunir com ministros e secretários para discutir a cessão de imóveis inativos do governo federal para famílias sem moradia.  "Tem muito prédio público que o governo federal e o INSS não usam e fica guardando barata e outras coisas e deveria virar moradia para o povo. Vou cuidar disso com carinho na semana que vem." PAC Ao todo, o PAC prevê liberar R$ 2,092 bilhões para as comunidades carentes do Rio para a urbanização de favelas, conforme declarações do presidente no evento. Entre as obras no Pavão-Pavãozinho, está prevista a construção de um grande elevador panorâmico, como o elevador Lacerda, em Salvador, porém, em estilo mais moderno, que terá uma saída na rua Teixeira de Melo, em Ipanema, junto a uma estação do metrô. Também está prevista a regularização fundiária de residências nos dois morros.  Lula tem extensa agenda no Rio, que inclui à tarde, a cerimônia de assinatura do contrato da Transpetro com o estaleiro Mauá para a construção de quatro navios no valor de US$ 277 milhões. O presidente participa também da inauguração da central de operações do Programa de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélites, em navio ancorado próximo à Praça Mauá, no centro do Rio.

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