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Lula não participará de eleição municipal, diz Rebelo

O petista candidato a prefeito que estiver pensando em usar a amizade com o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva como arma na campanha pode ir tirando o seu "cavalinho da chuva", avisou o ministro Aldo Rebelo, da Coordenação Política. "Ele não vai participar da campanha eleitoral porque a base (de apoio do governo) é muito heterogênea", explicou Rebelo na noite de ontem em Salvador, enquanto degustava uvas na recepção do casamento do seu amigo, o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). A postura representa um golpe na candidatura do deputado federal Nélson Pelegrino (PT-BA), pré-candidato do partido à prefeitura de Salvador, que contava com o apoio explícito do amigo Lula na campanha. "Claro que informalmente o candidato do Lula é o Pelegrino, não poderia deixar de ser, é do partido dele", disse Rebelo, sem explicar como esse apoio poderá ser usado na campanha. "É uma questão do presidente e do Pelegrino", fugiu o ministro, negando com veemência, contudo, que a não-participação de Lula será uma espécie de "pagamento" do Planalto ao fato de o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e de o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), terem ajudado a enterrar na Casa a proposta de uma CPI para investigar o caso Waldomiro Diniz. "Isso nunca existiu, nunca foi cogitado nem será; é uma atitude do presidente em função do posto que ele ocupa", comentou. Indagado sobre a lua-de-mel entre Lula e ACM, Rebelo saiu-se como mais uma frase genérica. "As relações do presidente são boas com todo mundo". Sarney também defendeu o distanciamento de Lula no pleito. "É uma tradição do presidente da República nunca se envolver diretamente nas eleições e eu acredito que ele (Lula) vai continuar isso", comentou. O senador aproveitou para classificar de "lamentável" o episódio envolvendo o subprocurador José Roberto Santoro, que tentou obter junto a Carlinhos Cachoeira a fita de vídeo que incrimina Waldomiro Diniz. "É o aparato do Estado a serviço de uma causa injusta", completou. Sarney apóia a proposta da criação do controle externo para o Ministério Público, lembrando que o assunto já está sendo apreciado no âmbito da reforma do Judiciário. Padrinho de casamento de ACM Neto, Sarney ressaltou a amizade de mais de 40 anos com o avô do noivo. Amizade também foi a justificativa usada pelo ministro Rebelo para comparecer ao casamento, fazendo questão de esclarecer não estar representando o governo federal. No entanto, a presença foi controversa, sendo motivo de condenação por deputados oposicionistas na Assembléia Legislativa do Estado na semana passada. O deputado estadual Marcelo Nilo (PSDB) reclamou na tribuna que a participação de Rebelo, deputado federal do PC do B de São Paulo (legenda que na Bahia faz oposição radical ao PFL, do ministro do Desenvolvimento Social, o petista Patrus Ananias) e outros políticos nacionais no casamento iria "ressuscitar" politicamente o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), cujo prestígio, segundo ele, ficou abalado devido ao escândalo dos grampos telefônicos. Ananias acabou não comparecendo, enquanto Rebelo, empenhado em ampliar a base de apoio do governo, fez ouvidos de mercador às queixas. "Nossa base de apoio é sólida, mas qualquer governo sonha sempre em ter sua base mais ampla possível", reforçou o ministro da Coordenação Política.

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