Lula não me tem como candidato, diz Tarso

Ministro nega interesse eleitoral em ação da PF que prendeu banqueiro

Vera Rosa, Brasília, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2008 | 00h00

Após enfrentar cotoveladas na Polícia Federal, broncas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, críticas da oposição e cara feia no PT, o ministro da Justiça, Tarso Genro, encerrou a semana como um dos principais personagens da novela em que se transformou a Operação Satiagraha. Para jogar água na fervura produzida pelos que vêem interesses eleitorais em suas ações, ele recolheu as armas políticas e disse estar fora do páreo para a sucessão de Lula, em 2010. Mais: afirmou que o presidente não o quer na disputa. "Nessa questão da sucessão à Presidência eu estou subordinado ao presidente Lula que, como é óbvio, não me tem como pré-candidato", disse Tarso. "Estou totalmente fora disso." Na avaliação do homem que incomodou a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff - ao constatar que ela não tem vida partidária -, os rumores sobre seu desejo de ocupar a cadeira de Lula não passam de "tentativa de enfraquecer o trabalho contra a corrupção" no País. Apesar do discurso para consumo externo, Tarso mira o Palácio do Planalto. Como o presidente não esconde sua preferência por Dilma, no entanto, ele prepara em banho-maria sua candidatura ao governo gaúcho, também em 2010. Tudo porém, pode mudar, dependendo do cenário."Se eu tivesse alguma idéia de ser candidato ao Planalto, já teria desistido quando não consegui eleger o deputado José Eduardo Martins Cardozo à presidência do PT", alegou Tarso, numa referência à eleição do ano passado, na seara petista, quando o deputado Ricardo Berzoini (SP) derrotou Martins Cardozo, hoje secretário-geral do PT.Mesmo sem citar Dilma, o ministro ressuscitou a polêmica: "Digo isso até por uma questão de coerência porque defendo que o partido tenha papel ativo na escolha do candidato à sucessão do presidente Lula." A declaração do ministro teve endereço certo. Motivo: Dilma, a favorita de Lula, ainda não passou pelo crivo do PT. Todos sabem, porém, que só quem o presidente quiser entrará no páreo. Além disso, o PT não tem candidato natural.Tarso contou que, numa conversa com Lula para analisar o cenário eleitoral, disse não ter intenção de ocupar seu lugar. "Eu sou candidato a bom ministro da Justiça." E vai apoiar Dilma? Enigmático, ele sorriu.DESAFETODesafeto do ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, que em seu blog disse ver no ministro "total incapacidade para o cargo" e o acusou de usar a Polícia Federal para obter "dividendos políticos", Tarso também foi bombardeado nos últimos dias pelo presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE)."Ele dá a impressão de que está surfando na onda das denúncias, do sucesso imediato."Ao destacar que as ações da PF e do Ministério da Justiça não são objeto de manipulação, Tarso apontou a metralhadora para Dirceu. Irônico, deu uma estocada no homem que comandou o PT com mão-de-ferro de 1995 a 2002. "Quem pensa que pode manipular tudo deve acreditar nessa história."

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