Lula não integra a Terceira Via, diz assessor

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, negou hoje que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva integre a Terceira Via, movimento ideológico de centro-esquerda liderado pelo primeiro-ministro britânico Tony Blair. Um dos principais mentores da Terceira Via, o diretor da universidade London School of Economics and Political Science, Anthony Giddens, disse em entrevista à Agência Estado na semana passada que Lula faz parte dessa corrente política. ?Lula não foi e não é da Terceira Via?, disse Garcia. Segundo ele, a participação do presidente no encontro de cúpula da Governança Progessista, que ocorrerá neste fim de semana no Reino Unido, insere-se numa estratégia de levar a sua mensagem ao exterior. ?A exemplo do que ocorreu em Davos, no G-8 e no encontro com Bush em Washington, Lula está transmitindo as suas idéias e propostas e deixando clara a posição do governo brasileiro nos temas de relevância global?. O secretário chegou a comparar o espaço ocupado por Lula no cenário internacional ao do líder sul-africano, Nelson Mandela, durantes os tempos do apartheid. ?Vemos o Bush, o Chirac, o Giddens e outros dando relevância às posições de Lula?, disse. ?Está ocorrendo ao redor de Lula, guardadas as devidas diferenças, um tipo de consenso semelhante que se deu ao redor de Mandela, cuja luta contra o apartheid era na época uma metáfora da luta contra a desigualdade. Lula, com suas visões e propostas, está se tornando isso.? Segundo Garcia, o fato de o governo Lula estar promovendo políticas econômicas ortodoxas não significa que ele se encaixe na Terceira Via. ?Tem se falado muito ultimamente que o governo tem promovido políticas ?responsáveis??, disse Garcia. ?Mas combater a inflação, reduzir a vulnerabilidade externa é um caminho obrigatório. Fomos obrigados a levar essas políticas adiante por causa dos erros do governo anterior.?Garcia rebateu também a comparações entre o Partido Trabalhista britânico e o PT. Na década passada, o trabalhismo britânico sofreu uma série de reformas, adotando um tom mais moderado, passando a ser chamado de ?Novo Trabalhismo? (New Labour?). Segundo alguns analistas ingleses, o PT teria passado pelo mesmo processo antes da eleição de Lula. ?Acho que essa é uma tentativa de muita gente subir no carro do PT e não do PT no carro deles?, disse. ?Como nós não gostaríamos que os ingleses dessem palpites, favoráveis ou não, sobre assuntos internos do Brasil, também não fazemos isso."

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