Lula não entra na campanha eleitoral antes de agosto

Dirigente do PT que conversou com Lula diz que ele só entrará quando for necessáia interferência

Cida Fontes, da Agência Estado,

03 de julho de 2008 | 18h32

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende entrar na campanha municipal somente a partir de agosto, quando as disputas começam a esquentar nas principais capitais. Em conversa com interlocutores aliados, Lula ponderou que ainda não é o momento de participar da agenda eleitoral e disse que só fará isso quando e onde for necessária a sua interferência. "Quando sentir o cheiro da disputa e perceber qual é o campo de ação que terá reflexos sobre 2010, ele entra na campanha", relatou um dirigente do PT que conversou com Lula sobre as eleições municipais. Veja também:Calendário eleitoral   Independentemente de subir ou não nos palanques, Lula teve papel fundamental na costura de algumas alianças. Não conseguiu, contudo, unir os partidos aliados no Rio de Janeiro, onde apostou numa composição com o PMDB e o governador Sergio Cabral. Não só o PT e o PMDB lançaram candidatos próprios, mas também os outros partidos aliados. "Lula não entrará na campanha do Rio tão cedo", avaliou um deputado do PT. Mas a participação do presidente Lula foi incisiva, por exemplo, na definição das alianças em Belo Horizonte (MG) e Natal (RN). Contra o DEM do senador José Agripino (RN), o presidente conseguiu unir PMDB, PT e PSB em Natal em favor da candidatura da deputada petista Fátima Bezerra. O acordo foi selado entre a governadora Wilma Faria (PSB) e o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que foram recebidos por Lula no Palácio do Planalto. Com essa decisão, o Planalto isola o DEM, que, na capital do Rio Grande do Norte, se aliou ao PTB em apoio à candidata do PV e está estremecido com o PSDB. A interferência de Lula em Natal agradou à cúpula nacional do PT, ao contrário do que ocorreu em Belo Horizonte. Neste caso, a direção petista não aprovou a conduta do prefeito da capital, Fernando Pimentel (PT), nem o comando do PSDB gostou da decisão do governador Aécio Neves (PSDB) de aprovar um apoio "informal" à chapa PSB e PT. O próprio Aécio pediu a ajuda de Lula, no encontro que tiveram em São Paulo por ocasião do velório de Ruth Cardoso. Na ocasião, o presidente prometeu declarar publicamente o que fez no dia seguinte, em visita a Itajubá (MG) - o apoio e a participação na campanha do candidato do PSB em Belo Horizonte, Marcio Lacerda, ex-secretário do governador. Tanto petistas quanto tucanos avaliam que a aliança entre Aécio e Pimentel criou um cabo-de-guerra entre Lula e o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). Berzoini, por sua vez, afirma que está tranqüilo e que a decisão final obedeceu à recomendação da direção nacional do PT de não permitir coligações com o PSDB. Os tucanos assumiram em Belo Horizonte uma posição inusitada: dão apoio informal, ficaram sem candidato à prefeitura da capital, mas declaram que o candidato é Márcio Lacerda, do PSB, cujo vice é do PT. Os petistas avaliam que o único derrotado na operação em Minas foi Fernando Pimentel, já que ela deu munição ao discurso dos tucanos que alimentam a expectativa de tirar o PT do poder em uma capital estrategicamente importante para 2010.

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