Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Lula não deve ir a Porto Alegre para julgamento

Pedido do petista para ser ouvido no tribunal não foi acatado até agora; defesa também o aconselhou a ter cautela

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2018 | 03h00

BRASÍLIA - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá acompanhar de São Paulo o julgamento que definirá o seu destino político, no próximo dia 24. Advogados aconselharam Lula a não participar de manifestações em Porto Alegre, onde está a sede do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), sob o argumento de que é preciso cautela para evitar confrontos e acirramento de ânimos.

"A ida de Lula a Porto Alegre sempre esteve condicionada à possibilidade de ele ser ouvido no julgamento", disse o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), ao lembrar que o pedido, feito pela defesa do ex-presidente, até agora não foi acatado pelo tribunal. "Não tem sentido ele ir lá e ficar olhando. As manifestações que estamos organizando na cidade serão de solidariedade e apoio, mas Lula não vai participar."

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Dirigentes do PT já trabalham com a perspectiva da condenação de Lula pelo TRF-4, mas, mesmo assim, manterão sua candidatura ao Palácio do Planalto até o último recurso na Justiça. Se o ex-presidente for mesmo condenado no caso do tríplex do Guarujá, em segunda instância, ficará inelegível pelos critérios da Lei da Ficha Limpa. Poderá, no entanto, permanecer na campanha deste ano até que todos os questionamentos (embargos) apresentados por seus advogados sejam analisados.

A estratégia do PT consiste em partir para o enfrentamento no palanque, na tentativa de defender Lula e o partido. Em um cenário de condenação final, a candidatura do ex-presidente deve ser impugnada, mas o cálculo dos petistas é que, até isso ocorrer, ele conseguirá passar a ideia de "perseguição política".

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A cúpula do PT avalia que, se Lula for impedido de concorrer e sua prisão for decretada, ele virará "mártir" e será importante cabo eleitoral. Embora oficialmente todos os dirigentes do partido digam que não há um Plano B para o caso de o ex-presidente não poder disputar, a maior aposta, até agora, recai sobre o ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT).

Ex-ministro da Casa Civil no governo de Dilma Rousseff, Wagner é o mais cotado para substituir Lula na chapa, até mesmo pelo fato de ser do Nordeste. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad vai coordenar o programa de governo  do PT e deve concorrer ao Senado.

O publicitário Sidônio Palmeira foi convidado para ser o marqueteiro do ex-presidente. Palmeira já assinou as campanhas de Wagner e do atual governador da Bahia, Rui Costa (PT), que vai disputar a reeleição.

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Com o mote "Cadê a Prova?", o PT e a Frente Brasil Popular iniciaram nesta segunda-feira, 8, uma ofensiva nas redes sociais, em mais uma tentativa de mostrar que Lula está sendo injustiçado. Em julho, o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. É justamente o recurso do petista nesse processo que será examinado agora pelo TRF-4, em Porto Alegre.

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No próximo dia 25, a Executiva Nacional do PT vai se reunir, em São Paulo, para reafirmar a candidatura de Lula à Presidência, qualquer que seja o resultado do julgamento. "Uma disputa eleitoral sem a participação de Lula será um brutal golpe na democracia e só servirá para dividir mais o Brasil", afirmou a presidente cassada Dilma Rousseff, em vídeo divulgado recentemente nas redes sociais.

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Dilma engrossará o ato das mulheres em apoio a Lula, na véspera do julgamento, na capital gaúcha. Várias manifestações estão sendo organizadas pelo PT e representantes da Frente Brasil Popular não apenas em Porto Alegre, mas em outras capitais. Em São Paulo, os manifestantes pró-Lula prometem ocupar a Avenida Paulista, no dia 24, a partir das 18 horas.

Até agora, este será o único ato do qual o ex-presidente pretende participar no dia de seu julgamento. Militantes do PT querem que, antes de se dirigir à Paulista, Lula fique na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), entidade que foi comandada por ele de 1975 a 1981. O ex-presidente ainda não decidiu, porém, se permanecerá no Instituto Lula, em seu apartamento de São Bernardo ou no sindicato.

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