Lula não ajuda PT em Salvador para manter pacto com PMDB

Presidente diz a Temer e Jaques Wagner que ficará distante da disputa

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

22 de outubro de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma conversa reservada com o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), na noite de segunda-feira em São Paulo, para comunicar que não vai interferir em favor do PT na disputa pela Prefeitura de Salvador. Pesquisas de intenção de voto apontam briga acirrada entre o deputado Walter Pinheiro (PT-BA) e o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), que concorre à reeleição.Entre fazer um petista prefeito da capital baiana e manter intacta a aliança nacional com o PMDB do ministro da Integração Nacional, deputado Geddel Vieira Lima (BA), Lula optou pela parceria com os peemedebistas, que dá maioria e sossego ao governo no Congresso. A idéia é não expandir a briga entre os dois partidos para além de Salvador, sob pena de complicar a vida do governo, agora e em 2010, abrindo uma guerra na base aliada. Nada mais inconveniente ao Planalto em tempo de crise econômica mundial e praticamente às vésperas da sucessão no Congresso.Segundo um colaborador do presidente que acompanha de perto a movimentação do chefe, o próprio Lula procurou Geddel para tranqüilizá-lo de que não haverá intervenção presidencial no segundo turno de Salvador. Na conversa com Temer, o governador petista deixou claro que, qualquer que seja o resultado das urnas, será preciso fazer uma composição política no Estado.Passado o clima eleitoral, marcado por ataques de parte a parte, o governador quer recompor a parceria com o PMDB baiano que ajudou a elegê-lo, indicando seu vice. Mais do que estar de acordo com a decisão de Lula, foi Jaques Wagner quem levou Temer ao encontro do presidente. Ex-ministro da Coordenação Política, o governador sabe que o Planalto trabalha para garantir um acordo entre PT e PMDB no Congresso, de modo que Temer seja eleito presidente da Câmara e a presidência do Senado fique com o PT do senador Tião Viana (AC).Os peemedebistas concordaram com o presidente, mas vários já se movimentam no Senado, em favor de uma candidatura própria. Tanto é assim que o PT marcou jantar da bancada de senadores para terça-feira, disposto a tirar dali o apoio unânime à candidatura de Tião Viana e apressar o lançamento oficial do petista. Satisfeito com a neutralidade de Lula, Geddel considera natural que alguns peemedebistas trabalhem em favor da candidatura própria no Senado, mas observa: "Na hora que acabar esse estresse da eleição, todos vão se compor".

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