Lula mantém ataques e critica 'pequenez política' da oposição

Segundo o presidente, a perda dos recursos da CPMF obrigou o governo a suspender o PAC da Saúde

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

27 de março de 2008 | 15h26

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar a oposição nesta quinta-feira, 27. Desta vez, Lula deixou de lado a polêmica dos cartões corporativos e voltou a criticar a oposição por ter votado pelo fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Segundo o presidente, a perda dos recursos do imposto do cheque obrigou o governo a suspender o PAC da Saúde. Para o presidente houve "pequenez política" por parte da oposição, que prejudicou a população.   Veja também:   Ouça a entrevista com David Fleischer  Um dia após troca de farpas, Lula não fala de CPI e sucessão  Ouça a íntegra do discurso irritado de Lula  IMAGENS: Os momentos de 'amor e ódio' de FHC e Lula  ENQUETE: A CPI dos Cartões deve quebrar sigilo de Lula e FHC?  Entenda a crise dos cartões corporativos   FHC cobra dados de cartão de Lula, que reage e diz que fará sucessor Relação, já conflituosa, azedou com mensalão Em sessão marcada por bate-boca, CPI rejeita convocação de Dilma PSDB pede apuração de vazamento sobre dossiê     As críticas do presidente fazem parte de um confronto que começa a se intensificar, mirando as eleições de 2010. A operação de blindagem da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na CPI dos Cartões na última quarta-feira, 27, e o confronto direto entre presidente Lula e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em torno da quebra de sigilo das despesas da Presidência antecipam o debate.   Na última quarta, no Recife, Lula reagiu à atitude de FHC, que abriu o sigilo de seus gastos, e à tentativa frustrada da oposição de convocar Dilma para depor na CPI. "A oposição pensa que vai eleger o (meu) sucessor, mas pode tirar o cavalinho da chuva porque vamos fazer a sucessão para continuar governando este país", afirmou em discurso, ao lado da ministra, sua principal opção para sucedê-lo em 2010.   Essa é a primeira vez, desde o episódio de violação do sigilo do caseiro Francenildo, em 2006, que acabou derrubando o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que um personagem-chave do governo Lula aparece envolvido em um escândalo de vazamento de informação. Segundo reportagem publicada pela revista Veja, o suposto dossiê sobre os gastos de FHC e sua família teriam partido de órgão ligado à pasta que Dilma comanda. A ministra nega envolvimento e abriu sindicância para apurar a violação.   FHC, por sua vez, aproveitou o clima em Brasília para cobrar de Lula que siga seu exemplo e também autorize a abertura dos gastos da Presidência durante sua gestão. "Se eu fosse o presidente Lula, eu diria: 'venham ver o que eu fiz com o dinheiro, como é que foi gasto, não tem problema nenhum. Abre, mostra, é melhor?'", afirmou, após participar de conferência na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre agências reguladoras. "Não é preciso fazer dessa questão um cavalo de batalha."   Também na CPI dos Cartões, marcada por muito bate-boca e discussões acaloradas, a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), deixou claro que a leitura do Planalto sobre o debate em torno dos gastos da Presidência é de que a convocação de Dilma tem por objetivo minar os planos do governo para lançá-la candidata à sucessão de Lula. "Pelo que ela (ministra) representa hoje e pelo o que pode representar em 2010", afirmou.   Planejamento familiar   No Recife, nesta sexta, Lula defendeu ainda o planejamento familiar por meio de vasectomia e pílulas anticoncepcionais. "Vamos fazer uma campanha em toda rede pública para fazer vasectomia nos homens, que são covardes e não têm coragem de fazer a cirurgia", disse o presidente. "Mulher tem coragem, mas homem não tem coragem de dar nenhum pitacozinho", afirmou Lula ao inaugurar as novas instalações de uma maternidade filantrópica no centro do Recife.

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