Wilson Pedrosa/AE
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Lula manifesta apoio à continuidade de Haddad no governo Dilma

'Não cabe a mim indicar ministro', ressaltou o presidente durante cerimônia

Lisandra Paraguassú, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2010 | 14h12

Em uma cerimônia planejada para o ministro da Educação, Fernando Haddad, brilhar, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, praticamente fez um pedido público para que Haddad seja mantido no ministério. Depois de uma sequência de elogios a seu ministro, Lula começou a dizer, para uma plateia que claramente pedia a permanência de Haddad com aplausos seguidos, que não poderia indicar ministro, mas com um sorriso que desmentia suas palavras.

 

"Eu estou aqui dizendo que eu não posso indicar ministro, não posso...Se eu pudesse pedir uma vaga ia pedir para mim. Como eu não posso...", brincou. " "Mas eu acho que a Dilma vai surpreender positivamente. Em todas as áreas". Mais para frente, voltou ao tema. "Não cabe a mim indicar ministro. Vocês sabem que sou defensor da ideia de que ela tem que montar um ministério a sua cara e sua semelhança. Ela tem que escolher o ministério que ela queira porque essa coisa é complicada. Se você monta um time de futebol e não comanda os jogadores, jogador derruba técnico. Ministro é fácil de colocar. Para tirar é duro", afirmou.

 

Haddad já é considerado nome certo para o ministério de Dilma. Apesar de ter tido atritos com a presidente eleita, o relacionamento de ambos sempre foi bom e Dilma tem dito que gosta do ministro da Educação. Mais do que isso, Lula teria sim pedido a sua sucessora que mantivesse Haddad.

 

O presidente dedicou boa parte do discurso a comentários sobre Dilma. Afirmou ter certeza de que ela está apta a fazer mais e melhor do que ele. "Nós elegemos a Dilma para ela fazer mais e melhor. Além daquilo que falta para a gente ela tem que fazer muito mais até porque ela participou de tudo que fizemos, conhece o que fizemos. Ela sabe e tem o mesmo compromisso", afirmou."Ela tem a mesma necessidade que eu tinha de provar que um metalúrgico podia governar esse país, a mesma. Eu tinha que provar todo dia, e ela também tem que provar que mulher tem competência.O preconceito contra ela foi mais forte que o preconceito contra mim em 2002 e 2006. Eu não pensei que ainda existisse com tanta força essa doença chamada preconceito. É uma mistura de raiva, de ódio, de incompetência, uma coisa muito pesada. Em pensei que no século 21 as pessoas tivessem se modernizado, mas não compreenderam que o papel da mulher é além daquele que a gente está acostumado".

 

Lula disse ser um "presidente feliz". Reafirmou que sua sucessora vai pegar um "Brasil muito melhor" que ele, em todas as áreas. Mas que vai aderir a prática dos "bilhetinhos". "Quando tiver passado 4, 5 meses que eu tiver deixado a presidência certamente vou começar a ver coisas que poderia ter feito e não fiz. Qualquer coisa eu passo um bilhetinho", disse Lula, sem dar mais detalhes .

 

O discurso foi feito em uma cerimônia em que foram inaugurados 30 novas escolas técnicas federais e 25 novos câmpus de universidades federais. Em sua fala, o ministro da Educação aproveitou para defender sua gestão. "Não há nada que tenha sido prometido que não tenha sido cumprido", garantiu o ministro. "Tivemos muitas vicissitudes mas tivemos tranquilidade para enfrentar todas".

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