Lula manda recado que quer Roseana em ministério

Mal deixou o PFL, a senadora Roseana Sarney (sem partido-MA) já foi convidada a participar do segundo governo Lula. Antes de viajar aos Estados Unidos na última quarta-feira, para um descanso de dez dias, ela foi procurada, por telefone, pela ministra do Gabinete Civil, Dilma Rousseff. Segundo um interlocutor da senadora, a ministra transmitiu-lhe o recado objetivo de que o presidente gostaria muito de tê-la a seu lado, no ministério.O telefonema foi curto, mas revela o primeiro movimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para montar o novo governo de coalizão, no qual o PMDB deverá ter papel de destaque. Assim que retornar ao Brasil, Roseana vai se filiar ao PMDB, independentemente do encontro com o presidente para tratar do convite, que nem sequer foi marcado.Antes da conversa rápida com a ministra, Roseana havia recebido um telefonema do presidente Lula no início da semana. Neste contato, porém, não se falou de ministério. Um amigo da senadora conta que a conversa ficou restrita à manifestação pessoal de solidariedade, feita por Lula, por conta da derrota dela na briga pelo governo do Maranhão. Um dirigente do PMDB lembra que o grupo do senador José Sarney (PMDB-AP) já ocupa um posto no primeiro escalão federal, com Silas Rondeau à frente do Ministério das Minas e Energia. Ele considera pouco provável que o mesmo grupo ganhe um segundo ministério, sendo Sarney um representante do pequeno Amapá e sua filha Roseana, uma candidata derrotada a governadora. Diante deste quadro e do fato de a ministra Dilma manter alguns ex-auxiliares seus nas Minas e Energia e o interesse pela área, setores da cúpula peemedebista trabalham com a hipótese da troca das Minas e Energia por outro ministério: o da Saúde. O raciocínio neste caso é o de que, para voltar a comandar posto tão estratégico, o PMDB teria de apontar um nome de peso político e apreço presidencial suficientes para inibir outra articulação: a que tenta emplacar a indicação do deputado eleito e ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PSB-CE). O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se recusa a falar em cargos e entoa o discurso da coalizão de governo que estabeleça uma nova relação com o Planalto, em que o PMDB passaria a discutir e formular políticas de governo. Nos bastidores do partido, entretanto, a conversa de seus correligionários é outra. Um deles atesta que o setor de infra-estrutura não é a área preferencial do partido, mas seu Plano "B". A prioridade peemedebista é ocupar a área social. Tanto que, antes mesmo da eleição presidencial, setores da ala governista movimentaram-se para indicar o novo ministro da Saúde. Argumentaram, na época, que a nomeação seria o sinal concreto de que o Planalto estaria mesmo disposto a montar um governo de coalizão com o PMDB. Melhor ainda, garantiriam a cadeira sem entrar em disputa com o PT ou com o PSB de Ciro Gomes.Como Lula ignorou a pressão peemedebista, setores do partido temem que o presidente queira fazer uma "operação casada" agora, negociando ao mesmo tempo a reforma ministerial e a sucessão do Congresso. Neste cenário, líderes do PT aproveitam para trabalhar em favor da negociação conjunta que, segundo eles, "custaria mais barato" ao governo. "Se precisarem dos votos dos petistas do Senado para reeleger Renan presidente, nada mais natural que o PT postule a presidência da Câmara e o governo compense a bancada federal do PMDB na negociação da reforma ministerial", raciocina um petista da direção nacional.

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