Lula ligou para saber sobre Renan, diz Mares Guia

Ministro diz que confia que amanhã (quinta-feira), dia seguinte do julgamento, tudo estará 'nos trilhos'

JOÃO DOMINGOS, do Estadão,

12 Setembro 2007 | 15h30

O ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, disse que recebeu nesta quarta-feira, 12, um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para saber notícias do Brasil e do Congresso. Lula está em Copenhague, na Dinamarca. Mares Guia informou que ele ou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), deverão informar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o resultado do julgamento no Senado do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Sobre o caso Renan, o ministro disse que "não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe". "Temos que enfrentar os problemas, temos que encontrar caminhos para resolver os problemas. O Senado tem o poder de resolver o problema que esta enfrentando. O que ele decidir lá, teremos que acatar", afirmou. O ministro disse que confia que amanhã, dia seguinte do julgamento, tudo estará "nos trilhos". Ele lembrou que quando o ex-presidente Fernando Collor foi cassado, não houve sangue nas ruas e as instituições continuaram funcionando. Veja também:Ouça áudio do tumulto no Senado  Saiba como será a votação secreta no plenário   Planalto prefere José Sarney no cargo Computadores e celulares estão proibidos no plenário Para senadores, presença de deputados altera votação Julgamento de Renan começa com protesto contra sigilo  O deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, disse nesta quarta-feira que os senadores presentes à sessão secreta para julgar o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), têm passado a sensação de que o senador será absolvido e seu mandato poderá ser mantido. Paulinho disse que a sessão transcorre em silêncio, com os senadores falando baixo e o sistema de som desligado. "A impressão que os senadores têm, inclusive alguns que votam pela cassação, é de que Renan vai acabar se safando", afirmou. Segundo Paulinho, a previsão do plenário para o encerramento da sessão é por volta das 18 horas. O deputado Barbosa Neto (PDT-PR), que estava ao lado de Paulinho, afirmou que Renan estava sorrindo durante o período em que os dois deputados estavam no plenário, passando a sensação de que a tendência será a sua eventual absolvição. Pouco antes,  o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) contou que os senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES) apresentaram os argumentos pedindo a cassação do senador.  Depois disso, o senador Almeida Lima (PMDB-SE), terceiro relator e aliado de Renan, disse que não havia provas consistentes contra o senador, pedindo sua absolvição.  O senador Tião Viana (PT-AC), que está presidindo a sessão secreta, chamou a atenção dos parlamentares que estariam vazando informações à imprensa. Além de Ivan Valente, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE)saiu da sessão e foi até a Câmara assinar a sua presença. Ele comentou com os jornalistas que o clima dentro do plenário está tenso e frio e que Renan ainda não discursou para fazer sua defesa.  A sessão secreta teve início às 12h07, com Viana pedindo a saída de todos que não iriam participar do julgamento de Renan. Só permaneceram os senadores, os 13 deputados que obtiveram liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) e outros que tiveram autorização. A decisão do ministro Ricardo Lewandowski foi divulgada na madrugada desta quarta-feira.  Segundo ele, por ser Renan presidente do Senado e do Congresso, todos os parlamentares - deputados e senadores - têm interesse em acompanhar a sessão. Alega ainda que, em sessões secretas da Câmara, é permitido que senadores compareçam. Por conta da decisão, Tião Viana chegou a levantar a hipótese de adiar a sessão das 11 para as 14 horas a fim de recorrer ao STF e impedir a presença dos deputados. Ao se reunir nesta manhã com os outros membros da Mesa do Senado, o adiamento foi descartado. Protesto dos senadores Na abertura do julgamento, ainda em sessão aberta, alguns senadores protestaram contra o fechamento. Também houve manifestação contra o voto secreto na Casa. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), por exemplo, sugeriu que a sessão de votação fosse gravada, "mesmo que fique cem anos em sigilo", para que a população possa ter, um dia, acesso ao que foi decidido nesta quarta-feira.  Os senadores do PSDB, como Arthur Virgílio e Alvaro Dias, também pediram mudança no regimento. Virgílio disse que se sente como se estivesse participando "de uma reunião da máfia", por se tratar de uma reunião secreta. "Vamos às escuras decidir o futuro da instituição. Vamos discutir que 180 anos de Senado não podem ser jogados no lixo por compadrio", disse. "Vamos decidir no escurinho do cinema lá dentro", acrescentou. Depois da confusão, Jungmann procurou o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) para relatar o confronto entre os deputados e seguranças. Chinaglia considerou "inadmissível e inaceitável" o fato e disse que vai pedir investigação rigorosa da agressão aos deputados. Segundo ele, ninguém pode sofrer violência física no Congresso. Chinaglia disse ainda que se tivesse acontecido com senadores no recinto da Câmara ele já teria aberto investigações para apurar responsabilidades. O que pode acontecer A previsão é que a sessão secreta dure pelo menos quatro horas. O PSDB, o DEM e o PSB foram os únicos partidos que fecharam votos contra Renan. Os demais deixaram em aberto. A expectativa é de que, pelo menos seis senadores do PMDB votem em favor da cassação. O PT está dividido e a maioria era contra Renan.  Caso o senador consiga salvar seu mandato, as pressões para que se afaste da presidência vão partir de seus próprios amigos. Na avaliação geral, o peemedebista teria perdido as condições políticas para permanecer à frente do Senado. Mas se concordar em deixar o comando do Senado, no caso de absolvido, Tião Viana tem cinco dias úteis, a partir da publicação do resultado da sessão, para convocar novas eleições e fazer o preenchimento do cargo de presidente da Casa. Mas outra alternativa seria apenas a licença da presidência. Dificilmente ele retornaria ao cargo mesmo porque continuará debaixo de pressão por conta de outros processos que estão tramitando contra ele no Conselho de Ética. Se Renan for cassado pelo plenário, Tião Viana terá de convocar uma nova eleição para preencher a vaga e uma temporada de disputa entrará em cena. A oposição quer o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que faz oposição ao Planalto. Os aliados preferem José Sarney, que poderia retomar o clima de normalidade e preparar a Casa para a votação da emenda que prorroga a CPMF, de total interesse do governo. Se cassado, Renan pode perder os direitos políticos por 12 anos: os quatro que ainda restam do mandato de senador e mais oito por conta da cassação por quebra de decoro parlamentar. O suplente de Renan é o alagoano José Costa, que já foi deputado do PMDB. Tumulto  Antes do início da sessão que julgará o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deputados da oposição e seguranças da Casa entraram em confronto e chegaram a trocar socos. O tumulto era grande na entrada do plenário. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) tentava entrar, foi barrado e, no meio da confusão, ele e um segurança começaram brigar e chegaram a trocar socos antes de serem apartados. O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) também partiu para o confronto e chegou a dar um soco em Tião Viana (PT-AC), vice-presidente da Casa e que presidirá a sessão de cassação do mandato de Renan.  Envolvida no tumulto, a deputada Luciana Genro (PSOL-RS) disse que um dos seguranças chegou a sacar um arma de choque contra Jungmann. "Felizmente ele não usou (a arma)", contou. A deputada saiu do incidente com um pequeno corte no calcanhar que disse ser decorrência de um chute que levou de um segurança. No meio da confusão, disse que perdeu um cartaz que pretendia exibir em plenário durante a votação. O cartaz dizia: "Sessão secreta é a negação do parlamento". A deputada atribuiu o incidente à falta de informação do segurança e acrescentou que se houve quebra de decoro no episódio foi com a segurança e não com os parlamentares.  (Com Denise Madueño, Fabio Graner e Cida Fontes, do Estadão)

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