Lula levará Fome Zero para chefes de Estado em Londres

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser a grande estrela do encontro "Governança Progressista", que reunirá onze chefes de Estado em Londres nos dias 13 e 14 de julho, segundo a avaliação do embaixador brasileiro no Reino Unido, José Bustani. "Houve uma enorme preocupação com a confirmação da vinda de Lula pois ele é hoje a única liderança capaz de oferecer ao mundo uma nova visão de aprimoramento democrático tendo como prioridade o aspecto social", disse Bustani em entrevista à Agência Estado. "A relegitimação e a sobrevivência desse grupo depende do presidente brasileiro.""Governança Progressista" foi o novo nome dado à Terceira Via, movimento político patrocinado na segunda metade da década passada pelo primeiro-ministro Tony Blair e o ex-presidente norte-americano Bill Clinton, que contou também com a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O objetivo da Terceira Via era o de traçar uma nova estratégia para as lideranças políticas de centro-esquerda, conjugando a necessidade da liberalização econômica e avanços tecnológicos e o foco nas questões sociais.Com o encontro em Londres, Blair pretende revigorar o movimento, que perdeu muito de seu apelo ao longo dos últimos três anos. Além de Lula e Blair, participarão chefes de Estado da Argentina, Chile, Canadá, Alemanha, Suécia, Nova Zelândia, Polônia, África do Sul e Coréia do Sul.DiscordânciasRepresentantes dos onze países estão elaborando uma declaração final para o encontro. Segundo Bustani, o Brasil, além de consolidar as questões sociais contempladas na declaração do último encontro da Governança Progressista em Estocolmo, realizado no ano passado, pretende ampliá-las. O projeto de combate à fome e à miséria, proposto por Lula, deverá constar do documento, além de uma firme posição favorável à queda das barreiras comerciais que penalizam os países em desenvolvimento.Um tema que está gerando maior desconforto entre os diplomatas brasileiros é a inclusão na declaração final da justificativa de ações militares internacionais como forma de defesa da soberania nacional, além da vinculação do terrorismo às armas de destruição em massa, um assunto de particular interesse do governo britânico. "O Brasil tem uma posição clara a esse respeito, que ficou patente durante o conflito no Iraque", disse Bustani. "O governo brasileiro considera as Nações Unidas como o único palco apropriado e legítimo para a deliberação sobre esses temas." O embaixador observou que as negociações para a formulação do documento "devem rumar para um ponto de convergência de propostas", mas que o Brasil continuará deixando claro a sua posição.A agenda a ser cumprida por Lula no Reino Unido ainda não foi completamente fechada. Além de participar do encontro da Governança Progressista num hotel localizado em Surrey, nos arredores da capital britânica, o presidente brasileiro deverá manter um encontro privado com Blair. Lula irá também proferir uma palestra na universidade London School of Economics no dia 14. Segundo Bustani, a visita de Lula está atraindo um enorme interesse entre os meios de comunicação britânicos.

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