Lula leva Dilma de volta a palanque para deter queda em pesquisas

No Planalto, momento é considerado ideal para ministra deixar claro que é a ''candidata única'' do governo

Leonencio Nossa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

15 de setembro de 2009 | 00h00

Liberada do tratamento do câncer e das reuniões fechadas de elaboração da proposta do pré-sal, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, quer voltar aos "palanques". Ela avisou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que está pronta para reassumir a tarefa de porta-voz de programas estratégicos do governo federal e acompanhá-lo em eventos na capital e viagens pelo País.

O movimento de Dilma tenta reverter os resultados modestos que ela, pré-candidata do PT à Presidência, obteve nas pesquisas eleitorais. Seu retorno à cena política ocorre no momento em que Lula comemora a recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) e os sinais de superação da crise econômica.

Auxiliares do presidente avaliam que a oportunidade não poderia ser melhor para a ministra deixar claro que é a "candidata única" do governo Lula à Presidência. Em maio, Dilma interrompeu sua agenda no governo para iniciar um tratamento contra um câncer no sistema linfático. No último mês, quando ainda se recuperava e fazia exames, ela gastou boa parte do tempo na elaboração dos projetos de exploração do óleo na camada pré-sal.

Foi o próprio Lula quem recomendou que a ministra tirasse pelo menos uma semana de folga para recuperar energias.

PONTE

Ontem, ela esteve com o presidente em Roraima para inauguração de uma ponte ligando o Estado à Guiana. Na sexta-feira, entrará novamente no Airbus da Presidência rumo ao Rio Grande do Sul, onde a governadora tucana, Yeda Crusius, enfrenta processo de impeachment. Dilma e Lula visitam as obras de melhoria da BR-448, entre os municípios de Canoas e Sapucaia do Sul. Em seguida, inauguram uma usina hidrelétrica em Caxias do Sul.

Sempre na cola de Lula, ela participa na quarta-feira da festa de 45 anos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Na quinta, deve se reunir com os governadores da região amazônica para discutir obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e projetos ambientais. Ainda na quinta-feira, ela estará ao lado de Lula numa solenidade de envio ao Congresso do projeto de lei do zoneamento da cana-de-açúcar, que prevê expansão da cultura, mas impede novas lavouras no Pantanal e na Amazônia.

PESQUISAS

O afastamento temporário da ministra coincidiu com avaliações negativas na imprensa e no Congresso sobre a viabilidade de sua candidatura ao Palácio do Planalto. Auxiliares do presidente argumentaram que as avaliações foram "precipitadas". Eles observaram que uma determinada pesquisa não considerou nem mesmo um cenário com todos os quatro nomes apontados hoje como possíveis candidatos à Presidência - Dilma, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o ex-ministro e deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e a ex-ministra e senadora Marina Silva (PV-AC).

A equipe de Lula sustentou ainda que Dilma foi vítima de setores da imprensa que não teriam levado em conta suas palavras no episódio Lina Vieira. A ex-secretária da Receita Federal sustentou ter mantido um encontro com a ministra da Casa Civil no fim do ano passado, em que teria recebido um pedido para agilizar a investigação sobre Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

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