Lula lamentou acúmulo de erros de uso de cartão, diz Múcio

Quase um mês depois da reportagem de O Estado de S. Paulo, presidente reconhece falta de fiscalização

LUCIANA NUNES LEAL, Agencia Estado

12 de fevereiro de 2008 | 16h46

O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, disse nesta terça-feira, 12, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou que os gastos indevidos com os cartões de crédito corporativos não tenham sido detectados antes e que os erros tenham se acumulado.      Veja também: Entenda a crise dos cartões corporativos Aliados comandarão a CPI dos cartões, avisa governoBriga por comando de CPI ameaça parar SenadoGoverno indica aliados para postos da CPI dos cartões PSDB diz que não vai investigar família de Lula  Após denúncia, governo publica mudanças para cartões  A declaração de Lula teria sido feita na reunião da coordenação política realizada na última segunda, quase um mês depois da reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, segundo a qual os gastos com cartão corporativo dobraram em 2007 com relação ao ano anterior. A edição trouxe ainda a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, como líder no ranking dos ministros que mais gastaram nos dois últimos anos. As denúncias levaram Matilde a pedir demissão do cargo. (Leia a reportagem)   Múcio disse que o governo reconheceu ter cometido um erro no acompanhamento dos gastos com os cartões corporativos e que está disposto a corrigi-lo. Segundo Múcio, o presidente elogiou a iniciativa da divulgação dos gastos na internet, mas afirmou que ela precisa vir acompanhada de uma fiscalização intensa que corrija imediatamente qualquer desvio. "Poderíamos ter usado melhor a transparência e corrigido a tempo. Na reunião de coordenação, o grupo avaliou que poderíamos ter detectado (mais cedo) e perseguido os erros", afirmou o ministro, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto.  Ele disse ainda que o governo está seguro de que o cartão corporativo é a melhor forma de se acompanhar os gastos públicos do funcionalismo e não se arrepende de sua exposição no Portal da Transparência, que pode ser acompanhado por qualquer cidadão. "Transparência é importante, o portal é importante. O problema não é o cartão, é quem usa o cartão", disse Múcio. "Se no primeiro sinal de irregularidade o governo tivesse sido mais rigoroso, talvez (a situação) não tivesse chegado a esse ponto", acrescentou.  CPI dos cartões Múcio participou de almoço no Planalto com os líderes de todos os partidos da base na Câmara, mais o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). O ministro negou que o acordo feito ontem entre governo e o PSDB para a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista, que investigue também os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso, tenha sido feito para preservar o ex e o atual presidentes da República."A CPI chega em um bom tempo e as investigações vão acontecer. Ruim é ficar sob o signo da dúvida", disse. Embora tenha dito que é um problema do Congresso, o ministro não demonstrou disposição do governo em negociar com a oposição o comando da CPI. Múcio lembrou que o regimento dá aos dois maiores partidos a presidência e a relatoria da Comissão. Ele deixou claro que dificilmente PMDB e PT abrirão mão dos cargos de presidente e relator.O ministro disse que explicou aos líderes, durante o almoço, os motivos que levaram "o governo a se antecipar em trabalhar pela formação da CPI". Segundo Múcio, houve a constatação de que a CPI no Senado era inevitável e muitos deputados aliados disseram que teriam constrangimentos se não assinassem o requerimento de criação da CPI na Câmara.

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