Lula justifica obras no Planalto pela 'ocupação desordenada'

Palácio 'tem tantas gambiarras' que 'a qualquer hora tem o risco de acontecer um incêndio', diz presidente

Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo,

07 de abril de 2008 | 20h58

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, 7, que o Palácio do Planalto tem "tantas gambiarras" que "a qualquer hora tem o risco de acontecer um incêndio". Lula começa em agosto a despachar do Palácio do Buritis, atual sede oficial do governo do Distrito Federal. O empréstimo do palácio, feito para que o Planalto possa passar por obras de restauração, foi oficializado nesta segunda, em uma curta cerimônia em que Lula justificou a necessidade das reformas pela "ocupação desordenada" do Planalto. Veja também:Novo presidente do STJ é contrário ao 3.º mandato para Lula "O Palácio foi ocupado de forma desordenada. Todos os ministros querem ficar perto do presidente, todos os assessores querem ficar perto dos ministros, e foram fazendo repartições. Foi ficando quase intransitável internamente", explicou. Lula reclamou, ainda, do sistema hidráulico - haveria torneiras de onde a água sai enferrujada - e dos carpetes sujos de alguns andares, a tal ponto que "parecia que tinham passado umas 80 carretas de petróleo" sobre eles. "Quero deixá-lo tal como era no tempo do Juscelino (Kubitschek, presidente que construiu Brasília)", disse. Sobre supostas críticas feitas ao fato de querer investir recursos na reforma, o presidente afirmou que "sempre aparece aquele que faz críticas". "Essas mesmas pessoas adoram visitar aqueles castelos milenares na Europa e depois perguntam por que o Brasil não preserva seu patrimônio como a Europa. Não se dão conta que preservar tem um custo", disse.  Na cerimônia, realizada no Palácio do Buritis, Lula prometeu terminar a obra antes do final do seu mandato. O projeto de recuperação já foi feito pelo arquiteto Oscar Niemayer, a um custo de R$ 1 milhão. No entanto, a licitação para a obra ainda não está pronta.  Nos próximos 60 dias, o governo federal deverá fazer adaptações no Buritis para receber Lula e os cinco ministros que hoje ocupam o Palácio do Planalto. Mas, apesar do empréstimo, há a possibilidade que o Buritis seja usado apenas para cerimônias.  O presidente poderá despachar também no Palácio do Alvorada e no Centro Cultural do Brasil - primeiro local cogitado para a mudança, até o governador do DF, José Roberto Arruda, oferecer o palácio do GDF, recém reformado e sem uso desde que o governador transferiu a sede de seu governo para a cidade-satélite de Taguatinga.

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