Lula janta com aliados e prevê votação da CPMF na terça-feira

Paralelamente, senadores do PMDB se reuniram para discutir formas de superar recentes atritos com o governo

Cida Fontes,

03 de outubro de 2007 | 10h33

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os líderes dos partidos aliados jantaram juntos na terça-feira, 2, para discutir as relações com o governo. Segundo o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB), ficou acordado que a Câmara poderá convocar sessão extraordinária na próxima terça-feira, 9, para o plenário votar em segundo turno a prorrogação da CPMF até 2011.  Múcio disse que Lula agradeceu aos líderes o apoio e a unidade na aprovação da emenda da CPMF em primeiro turno. Segundo o deputado, uma sessão deliberativa da Câmara deverá ser convocada para segunda-feira com o objetivo de votar a última medida provisória (MP) que estará trancando a pauta na véspera da votação da CPMF.  Veja também:Lula acerta ponteiros com PMDB, mas caciques têm novas reivindicaçõesLula assume comando das articulações para prorrogar CPMFEspecial sobre a CPMF   De acordo com o jornal Bom Dia, Brasil, da TV Globo, ficou definido no jantar que, até a aprovação da emenda, estão suspensas as nomeações de pessoas indicadas pelos partidos aliados para ocuparem cargos no segundo escalão do governo federal. "A idéia é manter a nossa base serena, comprometida com o projeto do governo, sem abrir dissidências necessárias", afirmou à emissora o líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS).  O líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), contou que Lula estava descontraído no jantar, durante o qual, segundo o deputado, não se falou de cargos no segundo escalão do governo. "Não havia clima", disse. Múcio disse que o jantar no Alvorada foi um "encontro entre amigos" e que a conversa foi "muito agradável". Além dos líderes dos partidos aliados na Câmara, compareceram o ministro Mares Guia, e a líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA).  Ainda de acordo com Alves, o presidente deixou claro que participará das campanhas eleitorais municipais em 2008, mas só subirá aos palanques em que não houver candidatos de partidos da base aliada em disputa.  Mares Guia Na semana passada, 12 peemedebistas votaram a favor da extinção da medida provisória (MP) que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, vinculada à Presidência da República e comandada pelo acadêmico Roberto Mangabeira Unger. Apesar disso, Lula elogiou o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, que está sob suspeita de envolvimento no esquema do mensalão em Minas Gerais.  De acordo com participantes do jantar, o presidente elogiou o desempenho de Mares Guia na articulação do governo, destacou a importância do ministro para a unidade da base aliada e afirmou que ele vai provar sua inocência no caso do mensalão mineiro. No jantar, Lula disse que reunirá, em outubro, os 100 maiores empresários brasileiros para discutir projetos de desenvolvimento do País. Segundo relatos de participantes do jantar, Lula falou com entusiasmo da atual fase da economia brasileira e informou que um projeto de longo prazo para o País será elaborado pelo futuro ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger. Lula deverá criar por decreto o Ministério Extraordinário de Assuntos Estratégicos, para substituir a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo. Rebeldes do PMDB Em paralelo ao jantar da base aliada, treze dos 19 senadores do PMDB participaram, terça à noite, de um jantar na casa do senador Waldir Raupp, em Brasília, durante o qual discutiram formas de superar recentes atritos entre a bancada e o governo. Segundo Raupp, o objetivo do encontro era afinar o discurso e "reafirmar a unidade do PMDB".  Na semana passada, 12 peemedebistas votaram a favor da extinção da medida provisória (MP) que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, vinculada à Presidência da República e comandada pelo acadêmico Roberto Mangabeira Unger.  Segundo Raupp, o jantar serviu para os senadores peemedebistas "afinarem o discurso" do partido. Entre os presentes estavam os senadores José Sarney e Renan Calheiros, presidente do Senado.  Não compareceram, entre outros, os senadores Pedro Simon, Gerson Camata e Jarbas Vasconcellos, que defendem o afastamento da Renan do cargo até que sejam julgados os processos que correm contra ele no Conselho de Ética, sob acusação de quebra do decoro parlamentar. (Com Christiane Samarco)

Tudo o que sabemos sobre:
CPMFPMDBbase aliada

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.