Lula ironiza presidentes que ganham dinheiro com conferência

Mesmo sem citar FHC, declaração foi interpretada como crítica ao ex-presidente, que realiza palestras

Tânia Monteiro, do Estadão,

27 de novembro de 2007 | 17h39

Sem citar nomes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta terça-feira, 27, uma crítica aos presidentes da República que não gostam de ir a conferências quando estão no cargo. "Só antes ou depois, para ganhar dinheiro", alfinetou. E completou: "Presidente não gosta de conferência, a não ser antes ou depois como vida profissional para ganhar dinheiro fazendo conferência. Mas, participar de conferência para ouvir o que alguns acham que é desaforo, quando na verdade é desabafo, assistir a conferência para ouvir gente falar mal do governo, quando o bom é ouvir falar bem, não é o normal".  Veja também:  País precisa ser liderado por quem fala 'bom português', diz FHC A declaração de Lula foi interpretada por fontes como uma crítica velada ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, desde que deixou o cargo, vem ganhando dinheiro com palestras. Na semana passada, FHC fez críticas ao governo Lula e chegou a dizer - sem citar o nome do presidente - que o País precisa ser liderado por alguém que fala "bom português". Os comentários foram feitos na posse do novo presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Renato Maluf.  Conselho de Segurança Alimentar O presidente Lula comentou que outros governantes que vierem depois dele não vão conseguir dissolver os conselhos que foram criados. Lula fez uma cobrança ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, sobre a presença dos integrantes do Consea na solenidade.  Dos 19 ministros que integram o conselho, apenas dois - Patrus Ananias e Guilheme Cassel, do Desenvolvimento Regional - estavam presentes. "Eu pedi ao Patrus e quero saber a lista das pessoas do governo que estão no Consea e não comparecem. Não é possível que o ministro não venha, nem o secretário executivo, e que cada vez apareça uma pessoa diferente. Isso não funciona", disse ele.  Lula aproveitou para fazer uma comparação futebolística: "Parece o Corinthians. É só ver como está o time, que não tem coordenação, que não consegue funcionar. Não tem time que consegue ganhar assim". Bolsa-Família O presidente Lula comemorou os avanços na economia:"não estamos mais nos tempos de vacas magras". Lula afirmou que o momento agora é de "consertar as coisas", referindo-se, por exemplo, à importância dos projetos sociais do governo, inclusive o Bolsa-Família.   Ele rechaçou as críticas de que o programa não tem porta de saída. Para ele, a porta de saída desses programas sociais vem com o crescimento econômico, com mais emprego, com mais distribuição de renda. Lembrou que o Bolsa-Família recebeu muitas críticas quando foi criado, sendo chamado de assistencialista e proselitista. "E freqüentemente perguntavam pela porta de saída: as pessoas não tinham nem entrada. Como é que podiam sair", indagou. Lula acrescentou que "não tem pressa" para suspender os benefícios. "Quando se planta uma coisinha, um dia ela vai crescer e vai aparecer". Ele comentou que as mudanças tem acontecido mais lentamente do que as pressas que as pessoas tem e que o trabalho do governo é medido pelo mandato. "O que é importante é a gente construir organizações que perpassem os mandatos", ressaltou.  

Tudo o que sabemos sobre:
LulaFHC

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.