Lula ironiza declaração de voto de FHC

O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, ironizou nesta quinta-feira as declarações do presidente Fernando Henrique Cardoso de que o prefere como candidato a presidência caso as outras opções sejam o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), e o candidato do PPS, Ciro Gomes."Em primeiro lugar, todo homem tem o direito de se arrepender", disse, arrancando aplausos e risos do público que assistia ao minicomício realizado no começo da noite na cidade gaúcha de Santa Maria."Em segundo lugar, o Fernando Henrique é um homem bem letrado que, no fundo, no fundo, sabe que nós seremos melhor governo do que ele."Ao ouvir as declarações, as cerca de 300 pessoas que participavam do evento começaram a entoar o slogan de campanha "Lula-lá", o que fez o petista, mais uma vez, explicar em vão que ainda não é o candidato do partido."O dia em que vocês me virem dizendo que sou candidato é porque tenho certeza de que vou ganhar", disse. "Por enquanto é tempo de estudar e produzir."Lula salientou que até outubro seu partido pretende tornar público seu projeto energético para o País.Apesar dos esforços de Lula, sua aclamação como candidato do PT foi a tônica do primeiro dia no Rio Grande do Sul da Caravana da Cidadania, que, nesta edição, procura mostrar os benefícios da agricultura familiar nos três Estados do Sul.Por onde passa, Lula é saudado como "futuro presidente do Brasil". Isso ocorreu até mesmo no discurso do governador gaúcho, Olívio Dutra (PT), que se juntou à comitiva na cidade de São Pedro do Sul (RS).Em retribuição, Lula passou o dia citando o bom desempenho agrícola do governo gaúcho, que colheu a maior safra de grãos de verão de sua história e passou a ser o segundo estado exportador do País, só perdendo para São Paulo."Tenho certeza que nenhum Estado do Brasil faz o que o Rio Grande do Sul faz em relação à agricultura."Pela manhã, Lula tomou café em um distrito de Santa Maria com um casal de agricultores, que, graças ao incentivo à agricultura familiar, deixou de plantar fumo (cultura que depende de agrotóxicos) e passou a produzir hortifrutigranjeiros sem uso de produtos químicos.Com a troca, a renda familiar estabilizou-se em R$ 280,00. "Está na hora de o governo ter consciência de que se investir na agricultura, impede o êxodo para as cidades, garante a qualidade dos alimentos e evita que sejam gastos R$ 540,00 por mês com presos ou mais de R$ 1 mil com menores infratores na Febem", observou.Ao defender o crédito agrícola para pequenos produtores, Lula aproveitou para criticar o governo federal. "O problema é que dinheiro neste País é só para contemplar a agiotagem internacional e não para incentivar a capacidade produtiva."Para atingir Fernando Henrique, ao ser questionado sobre o reajuste de salários dos funcionários públicos federais, que não recebem aumento há sete anos, Lula voltou a citar como parâmetro um governo da ditadura militar."Nem no governo Médici, que torturava os opositores do regime, os trabalhadores ficaram um ano sem reajuste", disse.Aproveitou para elogiar o governo petista gaúcho que tem na Assembléia projeto de reajuste do salário do funcionalismo estadual em 25%, parcelados em quatro vezes.Lula afirmou que com o novo acordo que o governo Fernando Henrique negocia com o FMI pretende "engessar" as ações do próximo governo eleito."O governo está fazendo de tudo para engessar um novo governo, porque na cabeça doentia da equipe econômica, de subordinação do Brasil ao capital externo, eles querem que qualquer governo siga fazendo o que eles fazem", disse, durante entrevista coletiva em Santa Maria."Mas nós só temos interesse de ganhar as eleições para não dar seguimento a essa política."Segundo Lula, o governo precisa pedir emprestado ao FMI porque não consegue fechar suas contas. "O correto seria que estivéssemos produzindo o suficiente e que tivéssemos os dólares suficientes para fechar as contas", disse.Mesmo sendo levado a pedir o empréstimo, na opinião de Lula, o Brasil ainda age de forma equivocada ao subordinar-se a todas as restrições impostas pelo Fundo."As orientações de ajustes em qualquer país onde dirigentes tenham vergonha e auto-estima são decididas pelo País, nunca pelo sistema financeiro internacional."

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