Celso Júnior/AE
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Lula intervém e Mercadante desiste de deixar liderança do PT

Senador critica aliança com PMDB, diz que governo errou, mas que não pode dizer não a pedido do presidente

Luiz Raatz, do estadao.com.br,

21 de agosto de 2009 | 11h40

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) desistiu de renunciar à liderança do partido no Senado após uma reunião na noite de quinta-feira, 20, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em discurso na tribuna na manhã desta sexta, o petista disse que o PT e o governo erraram em apoiar o arquivamento das denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney, mas que não pode dizer não a um pedido de Lula.

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Segundo Mercadante, após a conversa, Lula lhe enviou uma carta na qual pedia que ele ficasse.'Mais uma vez não tenho como dizer não ao presidente Lula', disse, ao anunciar a permanência no cargo. Ontem, Mercadante havia dito em sua página pessoal no twitter que sua renúncia era de caráter irrevogável.

Na carta, na Lula diz que respeita a posição de Mercadante, mas que não concorda com a saída dele do cargo. 'Companheiro Mercadante, você me expressou sua indignação com a situação do Senado. Respeito sua posição, mas não posso concordar com sua renúncia à liderança da bancada do PT. A bancada e eu consideramos você imprescindível', escreveu o presidente.

 

No discurso, Mercadante ainda criticou a aliança do governo com o PMDB. 'É um custo político que estamos pagando pela aliança com o PMDB que não pode ser pago. É muito mais difícil ser líder em condições como esta', afirmou. 

Ainda de acordo com o senador paulista , diversas lideranças do PT, como a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, o ex-ministro da Economia Antonio Palocci, o presidente da legenda Ricardo Berzoini e o ex-deputado José Dirceu pediram sua permanência. Ele disse que colegas do PT e da oposição apelaram para que ele não renunciasse.

 

A tensão entre Mercadante e outros líderes do partido teve início quando ele divulgou à imprensa, no começo de julho, uma nota em que a bancada petista na Casa se posicionava a favor licenciamento de Sarney do comando do Senado. Repreendido na época por Lula, ele se retratou diante da imprensa e disse que a bancada do partido se alinhava ao discurso do Planalto.

 

Duas semanas depois, voltou a mudar de posição e pedir a licença de Sarney, por causa de novas denúncias de que teria intercedido pela contratação do namorado de sua neta no Senado, como revelou reportagem do Estado.

 

Sem apoio de Lula, que sempre defendeu a tese de que o salvamento político de Sarney é essencial para viabilizar a aliança PT-PMDB em 2010, ele também estava desgastado com os três colegas integrantes do Conselho de Ética.

 

Com Christiane Samarco e Gustavo Uribe, de O Estado de S. Paulo

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