Lula inicia viagem pela América Latina e Caribe

O primeiro lugar a ser visitado pelo presidente é Cancún, onde participa da 2ª Cúpula da América Latina e Caribe

TÂNIA MONTEIRO - Enviada especial Cancún,

21 de fevereiro de 2010 | 18h57

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou neste domingo, 21, um périplo de cinco dias pelo México, Cuba, Haiti e El Salvador, que deverá ser a última viagem na região de seu governo. Lula chega a Cancún, para a 2ª Cúpula da América Latina e Caribe (CALC), com posição mais maleável em relação a Honduras, defendendo a busca pelo "entendimento" e o retorno de Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA), primeiro passo para o reconhecimento do governo de Porfirio "Pepe" Lobo, eleito em janeiro.

 

Embora o Brasil não vá levantar a questão, é esperado que outros países façam isso para ressalvar uma série de condições que precisam ser preenchidas pelo novo governo hondurenho e para que se possa prosseguir a integração da região. Na pauta do encontro, ainda está a tentativa de encontrar uma forma concreta de ajuda ao Haiti, com a previsão de uma reunião extraordinária da Unsaul na terça-feira pela manhã, só para tratar da ajuda conjunta estratégica aos haitianos e do bloqueio dos Estados Unidos a Cuba.

 

Os presidentes pretendem discutir também a disposição do Reino Unido de explorar petróleo nas Malvinas, que está sendo rechaçado pela Argentina. Os presidentes pretendem emitir uma declaração conjunta em relação a este e aos demais temas. Também deverão ser elaboradas declarações especiais sobre impunidade na Guatemala, Comunicado Especial sobre Cooperação em Imigração; e Declaração sobre o Convênio de Créditos Recíprocos (CCR), esta última apresentada pelo Brasil.

 

O porta-voz do Planalto, Marcelo Baumbach, deu o tom da disposição brasileira de voltar a se aproximar de Honduras. "O presidente Lula não quer que perdure uma situação de ruptura de diálogo com o governo hondurenho", disse, acrescentando que "o presidente Lula continua, claro, preocupado com a questão do precedente de ruptura institucional, mas acha importante o retorno de Honduras à OEA". O porta-voz do presidente fez questão de ressalvar que embora Lula "considere importante que Honduras volte à OEA", enfatizou que "é importante que qualquer solução que seja dada para essa crise não crie um precedente de apoio a movimentos golpistas na América Latina".

 

Baumbach lembrou que o Brasil "foi lançado, um pouco a contragosto, no cerne dessa questão, pela decisão do presidente Zelaya de pedir abrigo na embaixada brasileira" e que o presidente Lula não quer que perdure uma situação de ruptura do diálogo com o governo hondurenho. Por isso, Lula entende que vai à reunião da cúpula acreditando que é uma oportunidade privilegiada para discutir o tema com os países da região e, a partir daí, tentar uma retomada desse diálogo com o governo de Honduras", afirmou Baumbach lembrando que algumas medidas internas devem ser tomadas para que haja o retorno de Honduras à OEA e o reconhecimento do novo governo.

 

Para a foto oficial dos presidentes presentes à reunião da cúpula, o governo mexicano mandou confeccionar guaiabeiras, roupa típica da região do Caribe, que serão entregues aos chefes de estado. Ainda no México, na terça-feira, Lula almoçará com o presidente mexicano, Felipe Calderón. Os dois devem tratar de negociações para um acordo de livre comércio entre os dois países.

 

Depois, o presidente brasileiro segue para Cuba. O primeiro compromisso, antes de ser recebido pelo presidente Raúl Castro e pelo irmão Fidel Castro, será vistoriar o andamento das obras de ampliação do porto de Mariel. O governo brasileiro emprestou US$ 150 milhões para o empreendimento.

 

De Havana, Lula viaja para Porto Príncipe, onde deve sobrevoar as áreas atingidas pelo terremoto que atingiu o país. Na quinta-feira, ele se encontrar com o presidente haitiano, René Préval, para debater novas ações no apoio à reconstrução do país após o terremoto que arrasou parte do país. No mesmo dia, Lula viaja para El Salvado para um encontro com o presidente Mauricio Funes. O presidente brasileiro retorna a Brasília no do sábado.

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