Lula inicia hoje viagem que inclui visita a Fidel

Na Guatemala, ele vai à posse do novo presidente e encontra Chávez

Vera Rosa, Cidade da Guatemala, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia hoje uma visita oficial de dois dias à Guatemala e a Cuba e, apesar do mistério mantido pelo governo cubano, terá encontro amanhã com o líder Fidel Castro. A reunião com Fidel, afastado do poder desde julho de 2006 por motivos de saúde, será o ponto mais importante da primeira viagem internacional de Lula neste ano. No momento em que a ilha ensaia a passos lentos a abertura de sua economia, embora o regime ainda faça cubanos pedirem asilo ao Brasil, Lula vai usar a diplomacia "paz e amor" para fechar negócios sem mexer no vespeiro dos direitos humanos.O pacote de investimentos que o presidente anunciará prevê um acordo de cooperação com a Petrobrás para prospecção de petróleo no Golfo do México, aumento das linhas de crédito para importação de alimentos de US$ 90 milhões para US$ 100 milhões, financiamento de US$ 70 milhões para modernização de fábrica de níquel e até obras de infra-estrutura viária e na rede hoteleira.Antes, na Cidade da Guatemala, Lula terá encontros políticos com líderes que protagonizaram ruidosos embates nos últimos dias. Motivo: ao participar hoje à tarde da posse do presidente da Guatemala, Álvaro Colón, ele avistará os colegas da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Álvaro Uribe, convidados para a cerimônia.Chávez e Uribe trocaram farpas em meio à libertação de reféns que estavam em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Embora o Brasil tenha apoiado a missão, Lula não quer intervir nos atritos entre Chávez e Uribe - que se mostram dispostos a conversar com ele - e, após a posse de Colón, seguirá para Cuba hoje à noite, onde será recebido com um jantar pelo presidente em exercício, Raúl Castro.Em Havana, Lula terá agenda carregada na terça-feira, dia em que se encontrará com Fidel, com o presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular, Ricardo de Quesada, e visitará a Escola Latino-Americana de Medicina (Elam). O reconhecimento de diplomas cubanos de Medicina no Brasil e a construção de pontes e estradas compõem a lista dos assuntos que ainda estão pendentes.TÉRMICASEstudo da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) no Brasil sobre as oportunidades de negócios em Cuba mostra que a extração e refino de petróleo naquele país cresceu nos últimos anos para atender às térmicas. Para o governo, a ilha de Fidel representa um "mercado em expansão". Não é o que pensam os músicos cubanos que em dezembro pediram asilo ao Brasil. Quatro meses antes, o governo havia deportado dois boxeadores cubanos que abandonaram os Jogos Pan-Americanos.

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