Lula inicia campanha em SP e chama pedágio de 'roubo'

Em seu primeiro comício eleitoral em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o Estado é uma das prioridades da campanha da petista Dilma Rousseff à Presidência da República e que fará um esforço concentrado para garantir a vitória de Aloizio Mercadante na sucessão estadual. Em um discurso para cerca de 7 mil pessoas em Osasco, na Grande São Paulo, o presidente criticou o preço dos pedágios nas estradas de São Paulo. "Isso não é pedágio, isso é roubo", afirmou ao comparar os gastos dos motoristas nos pedágios estaduais e o quanto é pago nas estradas federais.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

21 de agosto de 2010 | 07h46

Durante 33 minutos de discurso, Lula deixou claro que o candidato petista deve explorar a questão dos pedágios contra seu adversário tucano Geraldo Alckmin. O presidente chegou a comparar o custo de uma viagem de São Paulo a Belo Horizonte por rodovia federal e o custo de viagem entre São Paulo e Ribeirão Preto, no interior paulista. Segundo Lula, na primeira o motorista gastará R$ 7,70 num percurso de 590 quilômetros, enquanto na segunda seriam desembolsados R$ 43,00 em pouco mais de 300 quilômetros. "Qualquer um de vocês se quiser ir à Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos vai pagar R$ 65,00", exemplificou.

Lula também comparou a eleição em São Paulo com a trajetória do Corinthians na Copa Libertadores, em que o clube paulista poderia ter ganhado a primeira partida contra o Flamengo, mas contou com a vitória em casa e acabou eliminado do torneio. "É inadmissível que a campanha que começou há poucos dias já tenha gente falando que precisa levar o Aloizio para o segundo turno. Quando começamos uma briga, temos trabalhar é pensando no primeiro turno", disse, dando um "puxão de orelha" em Netinho de Paula, candidato ao Senado, que pediu votos para levar Mercadante ao segundo turno. "Temos que parar com essa bobagem de achar que o outro (Geraldo Alckmin) já está lá", completou.

Acompanhado dos principais dirigentes do PT e de nomes que ficaram conhecidos no escândalo do mensalão, como João Paulo Cunha e José Genoino, Lula chamou o governo tucano de São Paulo de "arrogante" por não aceitar recursos federais para projetos sociais. "Aqui, nem o ProJovem eles fizeram porque tudo que era política social do governo federal eles (tucanos) fingiam que não era com eles", acusou. "A falta de humildade deles não reconhece sequer o dinheiro que nós mandamos para o Estado de São Paulo."

Contra a "turma que governa São Paulo desde 1982", o "presidente-cabo eleitoral" avisou que fará viagens de campanha pelo Estado, já que São Paulo é uma das duas prioridades do partido. "Vou fazer o que tiver ao meu alcance para fazer o companheiro Aloizio ser governador em São Paulo", disse. Lula recomendou também que a campanha de Mercadante se esforce nas ruas, indo para "porta de trem, de ônibus e de metrô" e que o candidato fale com o eleitor "com o coração". "Nós precisamos voltar a fazer campanha com a emoção de um partido que aprendeu a fazer as coisas certas neste País", afirmou.

Lentidão

Em seu curto discurso, Mercadante disse que a maior força de sua candidatura são os resultados positivos do governo Lula e que vai renegociar os contratos com as concessionárias de rodovias estaduais. "A única coisa em que o PSDB é rápido é em colocar pedágio", alfinetou.O petista também criticou a qualidade do transporte público nas grandes cidades e disse que pode, em 1 ano, melhorar a capacidade dos trens urbanos. Mercadante reclamou ainda da lentidão na ampliação da rede metroviária em São Paulo, onde, segundo o candidato, o PSDB só teria feito 500 metros de Metrô por ano. "Não dá para ser tão lento", cutucou.

Otimista com a vitória de Dilma já no primeiro turno, o prefeito de Osasco e coordenador da campanha de Mercadante, Emídio de Souza, pediu que os militantes se esforcem também na eleição do candidato petista. "Para o serviço ser completo, precisamos eleger o Mercadante", disse.

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