Lula inaugura parque com nome de sua mãe

Apesar da solenidade, obra no Recife não foi concluída

Angela Lacerda, RECIFE, O Estadao de S.Paulo

31 de dezembro de 2008 | 00h00

Ao inaugurar ontem a primeira etapa do inacabado Parque Dona Lindu - batizado pelo prefeito João Paulo (PT) em homenagem à mãe do presidente da República -, na praia de Boa Viagem, no Recife, Lula elegeu o preconceito como a mais grave das doenças. Acompanhado dos seis irmãos vivos (o mais velho morreu) e de primos e parentes, ele se referia às oito ações judiciais que foram impetradas contra o Dona Lindu - uma obra de R$ 29 milhões, até agora, assinada pelo arquiteto Oscar Niemeyer.A Associação dos Amigos do Parque (Amparque) lutou, sem êxito, por uma área simples, verde. O prefeito João Paulo, que conseguiu levar o presidente para a festa da obra incompleta, com orquestras de frevo e apresentação do cantor e compositor Alceu Valença, descerrou, ao seu lado, escultura assinada pelo escultor Abelardo da Hora, um memorial em homenagem aos retirantes através da família do presidente Lula. O prefeito não abriu mão do que considerou o seu "Taj Mahal" (uma das novas sete maravilhas do mundo, construído no século 17, em Agra, na Índia). As críticas ao parque envolveram desde o seu custo, aos objetivos - terá teatro e área de exposições - e até o nome dado à obra, considerado por integrantes da associação como "pura bajulação" do prefeito ao presidente. O presidente Lula falou durante 45 minutos, de maneira informal, sobre os mais variados assuntos. Do conflito na Faixa de Gaza e da crise econômica internacional à degradação da família como instituição. Ele aceitou de bom grado a homenagem à Eurídice Ferreira de Melo, a dona Lindu. E afirmou que, se ao invés de um busto de uma retirante houvesse um busto de uma aristocrata, a obra não teria enfrentado processos judiciais. João Paulo chorou ao falar na própria mãe. Ele destacou que Lindu representa todas as mulheres sofridas, todas as retirantes, todas as mães. O presidente optou por fazer "um comício" como ele mesmo designou sua fala, para não sucumbir à mesma emoção do amigo prefeito. Segundo Lula, o maior legado que recebeu de Lindu, "que nasceu como morreu, analfabeta, foi o caráter". Em uma das várias histórias que contou ao público, o presidente lembrou ter decidido fazer a transposição do São Francisco por já ter vivido experiências de seca e sede no agreste. E relembrou: "Uma vez fui buscar água numa jumenta que minha mãe tinha, fui eu e a Maria baixinha (sua irmã). A jumenta deu uma queda na gente e começou a morder minha barriga. O padrinho deu um corte nela e ela me largou. Já pensou Lulinha ser comido por uma jumenta?" As risadas irromperam na platéia. Em outro momento, ao falar sobre a crise econômica internacional, o presidente garantiu que "os pobres não pagarão a conta dessa crise" no País. O presidente Lula almoçou em um restaurante em Boa Viagem com familiares e autoridades e à tarde viajou para Fernando de Noronha, onde passa o réveillon.

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