Lula inaugura conjunto popular em SP e elogia moradias

Durante a entrega de apartamentos populares para moradores da favela de Paraisópolis, na capital paulista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez hoje à tarde elogios à qualidade das unidades habitacionais entregues pelo governo federal, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. "Isto aqui agora não é mais uma favela, é um bairro. É mais chique", disse. A favela é vizinha a um dos bairros mais nobres de São Paulo, o Morumbi.

ANNE WARTH, Agência Estado

31 de agosto de 2010 | 19h06

"Certamente, aqueles que moram em prédios com cobertura não terão mais vergonha quando olharem para baixo porque agora vão ver que vocês estão morando em apartamentos dignos, de pessoas que trabalham e querem construir a cidadania, convivendo dignamente com a sua família", disse Lula, em discurso aos moradores da comunidade.

O petista fez um discurso de 12 minutos e informou desde o início que sua passagem pela região seria rápida, uma vez que iria visitar o neto Pedro, que acabara de nascer no Hospital São Luiz, em São Paulo. O presidente antecipou ainda que iria participar hoje das comemorações do centenário do Corinthians, seu time do coração.

Após visitar os apartamentos, Lula afirmou ter ficado satisfeito ao vê-los com azulejos e lajotas. "Fiquei orgulhoso de ver a qualidade do prédio", afirmou. "Todo mundo gosta de ter azulejo em sua cozinha e lajota em sua casa", disse. "Não é possível imaginar que nós não gostamos de coisa boa." O total de projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Paraisópolis soma R$ 318,8 milhões.

Terno

Ao lembrar de seu passado, Lula citou que sua primeira casa tinha apenas 33 metros quadrados e que foi aumentada por meio de "puxadinho, aos trancos e barrancos, como é a vida de todos nós". Ele lembrou ter doado o terno que usou no dia que tomou posse na Presidência da República, em 1.º de janeiro de 2003, para um leilão beneficente que arrecadou recursos para a comunidade de Paraisópolis. O traje foi arrematado por R$ 500 mil pelo empresário Eike Batista. "Eu só dei o terno para leiloar. A meia já estava gasta e a gravata desapareceu", brincou.

Lula foi ovacionado pelas pessoas que aguardavam sua chegada, com uma hora de atraso. Ele foi recebido com gritos de "Lula, guerreiro, do povo brasileiro", "Lula, cadê você? eu vim aqui só para te ver" e "olê, olê, olê, olá, Lula, Lula". Já o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o governador do Estado, Alberto Goldman (PSDB), foram recebidos por vaias, logo encerradas durante os discursos dos governantes.

Metrô

Durante a cerimônia, Goldman assinou um contrato com a presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Maria Fernanda Ramos Coelho, de expansão do metrô. A nova Linha 17-Ouro, cujo valor previsto é de R$ 3,17 bilhões, terá R$ 1,5 bilhão do governo estadual, R$ 1,33 bilhão da Caixa e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 334 milhões da Prefeitura.

No total, a linha terá 21,6 quilômetros de extensão, 20 estações, dois pátios e 28 trens. Além disso, haverá um monotrilho que fará a ligação entre o Aeroporto de Congonhas e a Estação Jabaquara, da Linha 1-Azul.

Ao fim de seu discurso, Lula passou o microfone para moradores da região, que fizeram um poema e uma canção para o presidente. O primeiro foi declamado da seguinte forma: "Presidente que nem o Lula/ Na história eu nunca vi/ Ele trabalha com muita competência/ Ele não escolheu nem esse nem aquele/ Ele é presidente de todos os brasileiros".

A canção, na cadência de um repente, foi cantada assim: "Lula é muito gentil/ Hoje se acha presente/ Caetés mandou para aqui/ Tu és muito competente/ Dilma vai ser lá na frente/ E você vem novamente." O nome da candidata do PT à sucessão presidencial foi dito apenas na canção durante todo o evento. Lula deixou o local sem conceder entrevista.

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