Lula: 'ignorância' fez Serra não investir no Samu

Em mais uma etapa do embate entre PT e PSDB na disputa eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje o candidato tucano à sucessão presidencial, José Serra, e o acusou, de forma indireta, de agir com "pura ignorância" quando governador de São Paulo.

ANNE WARTH, Agência Estado

10 de setembro de 2010 | 16h56

Sem citar o nome de Serra, em inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vila União, em São Bernardo do Campo (SP), o presidente fez questão de lembrar de um evento ocorrido em 25 de março em Tatuí (SP) para entrega de 600 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Participaram do ato o então governador José Serra, que renunciou ao cargo uma semana depois para concorrer à Presidência, e a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que também deixou o cargo para a disputa.

Com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a tiracolo na cerimônia de hoje, Lula chamou a atenção do ministro que, segundo o petista, deixou de avisá-lo em Tatuí que o governo de São Paulo não havia assinado convênio com o governo federal para ajudar as prefeituras a custear a manutenção das ambulâncias.

"Lá estava o ex-governador de São Paulo, que fez até discurso. E agora você (Temporão) vem me dizer que ele não havia participado do Samu? Não põe um centavo? E fez discurso como se colocasse muito dinheiro", questionou Lula, sem esconder uma dose de ironia. "Isso acontece porque sou um democrata e deixo ele falar. Mas, na verdade, você poderia ter me avisado antes que aí eu iria cobrar dele no palanque. Como é que você inaugura uma coisa se você não põe um centavo?", provocou Lula.

O presidente aproveitou o exemplo para criticar a atitude de governos estaduais e prefeituras que se recusam a participar de projetos do governo federal por conta de diferenças partidárias. "É pura ignorância", disse. "Quem paga o pato é o povo brasileiro." Ao falar sobre as UPAs que serão inauguradas em diversas cidades da região metropolitana da São Paulo, o petista também provocou o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (DEM), embora não o tenha citado nominalmente. "Só não tem UPA em São Paulo porque parece que eles não querem."

''Filho''

Já para o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), sobraram apenas elogios. Lula disse tratar Marinho como se fosse "um filho" e que, quando deixar a Presidência, em janeiro de 2011, voltará imediatamente a morar em São Bernardo e pretende fiscalizar a gestão do prefeito.

"A coisa mais certa que o povo de São Bernardo fez foi votar nesse companheiro para a prefeitura", disse, para em seguida afirmar que, caso Marinho cometa algum erro em sua gestão, ele próprio poderá se candidatar ao cargo. "Se ele não fizer as coisas direito, eu posso até me candidatar a prefeito de São Bernardo", disse o presidente, ovacionado pelas pessoas que assistiam à cerimônia.

Diante da reação do público, Lula voltou atrás. "Mas, como Marinho é meu irmão, eu apenas me contentarei em ser cabo eleitoral dele quando ele for candidato à prefeitura de São Bernardo", afirmou o presidente, abrindo a possibilidade de que Marinho concorra à reeleição ao cargo em 2012.

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