Lula grava programa e revive infância em Pernambuco

Quase 50 anos depois de ter deixado o sítio Várzea Comprida, num pau de arara, com a família, com destino a São Paulo, o pré-candidato do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou hoje o local, no município de Caetés, no agreste pernambucano, para gravar umprograma do partido que vai retratar sua origem e trajetória devida. Ele avaliou que cinco décadas depois, as mudanças forammuitas poucas e disse acreditar que teria de fugir novamentepara outra região do País se fosse criança hoje."As melhoras são muito lentas, não há o avançonecessário", afirmou, ao apontar que as dificuldades da água da lavoura, do crédito e do apoio ao pequeno agicultorcontinuam as mesmas. Ele reconheceu melhorias na saúde eeducação - na sua época não havia escola nem posto médico - e aimplantação de rede elétrica. Emocionado, Lula ficou com osolhos cheios d´água ao relembrar o sofrimento que significoupara sua mãe deixar a sua terra.E lamentou constatar que "ainda hoje existem pessoasque perambulam pelo País afora, sem certeza e sem perspectiva".Para ele sua mãe tomou a decisão certa: "o que seria de umamulher sozinha com oito filhos sem nenhuma perspectiva de seralguma coisa na vida?".Nas filmagens comandadas pelo publicitário Duda Mendonça, Lula reviveu seu passado, revendo o local onde ficava a casaonde morava - que não existe mais - e o tronco que restou de umpé de mulungu presente em sua memória infantil. A árvore não dáfrutos e suas folhas servem de alimento para o gado. Eleconversou e contracenou com sua tia por parte de pai, Corina daSilva, 73 anos, que continua morando em Caetés, primos e seuirmão mais velho Genival Inácio da Silva, o Vavá, de 62 anos,que vive em São Paulo.Lula também visitou as ruínas da casa onde pernoitou coma família antes de seguir para São Paulo numa viagem que durou13 dias. Ele foi embora de Caetés acompanhando a mãe e seisirmãos, um tio, uma tia e dois primos. O pai e outro irmão jáestavam na capital paulista.Lula e o PT - Em entrevista, o candidato reafirmou seucompromisso, se eleito presidente, de fazer todo o esforço paramudar a realidade do nordestino. "Essa gente merece umaoportunidade e eles só darão um salto de qualidade com ajuda dopoder público", observou. "Na hora em que se der a mão paraessas pessoas se organizarem, elas vão para a frente". Luladefendeu a agricultura como um dos pilares do desenvolvimento epregou uma política agrícola mais agressiva. "O Brasil temmilhões de pequenos proprietários às vezes desamparados, àsvezes sem o crédito na hora certa, às vezes sem acesso abanco".O programa do PT, que vai ao ar no dia 9 de maio, vaimostrar a origem e a história de vida de Lula, os 22 anos dehistória do partido e algumas propostas de governo. Já foramfeitas filmagens em São Bernardo do Campo (vida sindical deLula); Furnas, em Minas Gerais (questão energética); Brasília(força do partido com todos os seus senadores e deputadosfederais); Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco(irrigação e fruticultura como exemplo de que até a seca temjeito); e Caetés. Ainda haverá gravações em São Paulo (vidapessoal e profissional de Lula) e Rio Grande do Sul, onde sepretende mostrar o sucesso da agricultura familiar, numarealidade oposta à vivida pelo candidato no semi-áridonordestino.

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