Lula grava para Paes, que o havia chamado de ''chefe da quadrilha''

Peemedebista, que disputa 2° turno no Rio, era parlamentar tucano no auge do mensalão

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

11 de outubro de 2008 | 00h00

Depois de ficar ausente do primeiro turno da campanha na capital fluminense , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou ontem uma participação no programa eleitoral do candidato do PMDB à Prefeitura do Rio, Eduardo Paes, ex-adversário e agora aliado. Lula recebeu Paes e o governador Sérgio Cabral, além de políticos e dirigentes do PMDB e do PT, no Hotel Hilton em São Paulo. Apesar da mágoa pela atuação do ex-deputado na CPI dos Correios, que investigou o escândalo do mensalão, o presidente, segundo assessores, entendeu que era importante fazer um depoimento sobre a vantagem de ter um aliado na Prefeitura do Rio. A campanha de Paes é centrada na possibilidade de uma parceria inédita entre os governos municipal, estadual e federal. Cabral foi o articulador a aproximação de Lula e Paes. As imagens mostrarão uma reunião de trabalho do presidente com o governador e o candidato. "Quem ganha com essa união é o povo do Rio", declarou o presidente. "Fico muito feliz que o PT esteja unido em torno da candidatura do Eduardo, junto com as demais forças progressistas do Rio de Janeiro", concluiu Lula.Ontem, durante encontro em que o PC do B formalizou apoio ao peemedebista, Eduardo Paes repetiu que não se arrepende da atuação na CPI e que era seu papel de parlamentar denunciar corrupção e desvio de dinheiro. No entanto, reconheceu que exagerou no tom empregado. "Em alguns momentos, se sai do tom da política. Essas não são expressões adequadas ao debate político", disse Paes, que chegou a chamar o presidente de "chefe da quadrilha". A candidata derrotada do PC do B, Jandira Feghali, defendeu a aliança do peemedebista com os partidos da base do presidente e disse que Paes pediu desculpas a Lula. Em entrevista, pouco depois, no entanto, Paes afirmou: "Não devo desculpas a ninguém pelo papel importante que fiz ali, institucional, como deputado." Jandira atacou a candidatura do outro concorrente, Fernando Gabeira, do PV, em aliança com o PSDB. Os novos aliados de Paes têm feito o discurso de que a eleição municipal no Rio é uma prévia da disputa presidencial de 2010 e do enfrentamento entre os parceiros de Lula e os aliados do governador de São Paulo, José Serra, do PSDB. No segundo turno, Gabeira recebeu apoio do DEM, partido do prefeito Cesar Maia. Em documento divulgado ontem, a direção do PC do B fluminense diz que a candidatura de Gabeira representa "a nova face do moralismo fundamentalista" e que "travestida de moderna, representa na verdade o conservadorismo modernoso". Embora tenha feito textos elogiosos a Gabeira e o DEM tenha recomendado o voto no verde, Cesar Maia não tem participado diretamente da campanha.

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