Fernando Bezerra Jr/EFE
Fernando Bezerra Jr/EFE

Lula grava inserções em que reconhece crise e pede 'união nacional'

Propaganda faz parte da estratégia para consolidar a lenta recuperação do governo diante da crise política e jogar para a oposição parte da responsabilidade pela situação

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 22h09

São Paulo - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou nesta terça-feira, 18, inserções de TV para a propaganda partidária do PT nas quais reconhece a gravidade da crise econômica e pede a união nacional para o País encontrar a saída. "O Brasil vai voltar a crescer", diz Lula no final da propaganda que vai ao ar sábado.

As inserções fazem parte da estratégia para consolidar a lenta recuperação do governo diante da crise política e jogar para a oposição parte da responsabilidade pela situação. Com base em pesquisas internas o PT identificou que parte da população está assimilando o discurso no qual a oposição estimula o "quanto pior, melhor" com o objetivo de derrubar a presidente Dilma Rousseff e assumir o governo. 

Assim o PT também alinha seu discurso ao do vice-presidente Michel Temer e setores do empresariado que têm se posicionado publicamente pela unidade contra a crise econômica. Além disso a legenda aposta em uma resposta nas ruas às manifestações que pediram o impeachment de Dilma realizadas em todo o país no domingo.

A avaliação no PT é de que os protestos contra o governo devem diminuir, mas não vão acabar e que a saída é mobilizar setores que pensam o contrário. Para garantir o apoio de grupos refratários ao governo e ao PT, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), aos atos marcados para quinta-feira, a sigla admitiu adaptar as inserções de rádio e TV veiculadas nesta data ao discurso destes movimentos.

As inserções chamam a população a "defender a democracia" mas em momento algum falam em "golpe", termo preferido dos petistas para se referir às movimentações pelo impeachment de Dilma.

"Seria muito ruim se o PT fizesse uma inserção com temas que não estão no nosso manifesto", disse Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).  

"Temos o cuidado de evitar que soasse como uma tentativa de partidarizar os atos, a exemplo do que o PSDB fez com as manifestações de domingo", disse o secretário de Comunicação do PT, José Américo Dias. 

Nos últimos dias a frágil unidade dos mais de 20 movimentos que organizam os atos cujo lema é "Tomar as Ruas por Direitos, Liberdade e Democracia! Contra a Direita e o Ajuste Fiscal" , foi ameaçada por divergências internas, principalmente em relação ao posicionamento em relação ao pedido de impeachment de Dilma.

"Não somos a favor do 'Fora Dilma'. Mas em princípio não somos contra a ideia de o povo ir às ruas e derrubar o governo. O problema é que se Dilma sair vai entrar alguém pior", disse Guilherme Boulos. 

Um dos principais alvos da manifestações desta quinta-feira deve ser a "pauta conservadora" defendida por uma parte minoritária dos manifestantes anti-Dilma que foram às ruas domingo e personificada no universo político pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "O forte da manifestação vai ser o 'Fora Cunha'", disse Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares (CMP). 

Os atos "pela democracia" devem acontecer simultaneamente em 18 Estados e são uma tentativa da esquerda de dar uma resposta às manifestações de domingo. Além da defesa democracia, os organizadores vão protestar contra a redução da maioridade penal, tentativa de criminalizar os movimentos sociais por meio de uma lei antiterrorismo e a Agenda Brasil, apresentada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e encampada por Dilma como forma de construir um caminho de saída para a crise. 

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